Um documento de 1.500 páginas redigido aparentemente pelo norueguês que matou 92 pessoas em dois atentados em Oslo, na sexta-feira (22), revela que o ataque já era preparado desde o outono de 2009. O documento, publicado na Internet diariamente, inclui um manual sobre como montar bombas e um discurso contra o Islã e o marxismo.
Anders Behring Breivik, um norueguês de 32 anos, detalha os preparativos de sua ação, destacando "o uso do terrorismo como um meio de despertar as massas", e admite que será lembrado como "o maior monstro nazista desde a II Guerra Mundial". Com várias referências históricas, o manifesto inclui numerosos detalhes da personalidade do agressor, seu modus operandi para fabricar bombas e seu treinamento de tiro, além de um minucioso diário dos três meses que precederam o ataque.
Manifesto sob pseudônimo
O texto, escrito em inglês, tem o título "A European Delaration of Independence - 2083" (Uma declaração de Independência Europeia - 2083) e é firmado sob o pseudônimo "Andrew Berwick".
"Meu nome, Breivik, remonta à época anterior a dos vikings. Behring é um nome germânico pré-cristão que deriva da palavra Behr, que em alemão significa urso (...) e Anders (Andreas) é o equivalente escandinavo de (...) Andrew", explica.
"Um alvo prioritário é a reunião anual do partido socialista/social democrata", diz o texto, que também explica como montar uma empresa de fachada, mineradora ou agrícola, para adquirir explosivos.
O documento acaba assim: "Acredito que será minha última postagem. Estamos na sexta-feira, 22 de julho, às 12h51", apenas três horas antes da explosão de uma bomba no centro de Oslo e do posterior ataque à colônia de férias do Partido Trabalhista.
Behring admitiu hoje (24) que participou dos ataques, que "foram planejados há muito tempo", informou seu advogado Geir Lippestad.
Os ataques
Nesta sexta-feira (22), a Noruega foi abalada por uma forte explosão perto da sede do governo em Oslo, que danificou edifícios onde funcionam instituições do governo e também o escritório do primeiro-ministro. O segundo ataque foi um tiroteio em uma colônia de férias do Partido Trabalhista, que está no poder. No local acontece um encontro da juventude do Partido Trabalhista. (eBAND)
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