O aguardado acordo dos políticos americanos para elevar o teto da dívida do país saiu. Os mercados chegaram a comemorar, sobretudo na Ásia. Mas logo os investidores se deram conta de que a economia dos Estados Unidos continua fraca, situação que tende a agravar-se com os cortes de despesas definidos na negociação entre democratas e republicanos. Resultado: as bolsas de valores abriram a semana com baixas em todo o Ocidente.
O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) perdeu 0,49%, o Índice Dow Jones (o mais tradicional da Bolsa de Nova York) se desvalorizou 0,09% e a Nasdaq, 0,43%. O principal índice da Bolsa de Frankfurt (DAX) recuou 2,86% e o da Bolsa de Londres (FTSE), 0,70%.
O raciocínio dos investidores é o mesmo que tantas críticas suscitou na história do Fundo Monetário Internacional (FMI). Quando um país recorria ao Fundo, o receituário para ser socorrido incluía pesados cortes orçamentários. Em economias já debilitadas, as medidas se mostravam mortais. Ao cortar despesas, o governo tirava dinheiro - e fôlego - da economia. Muitas vezes, a receita provocava recessão.
O outro temor que tomou conta do mercado está relacionado à possibilidade de os EUA terem a nota de crédito (rating) rebaixada pelas agências de classificação de risco - a despeito do acordo sobre o aumento da dívida.
Como explica o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, várias instituições (como fundos de pensão e de investimento) não podem aplicar recursos em ativos que não tenham a nota máxima dessas agências (AAA). Segundo ele, não se sabe exatamente o que isso significa em valores. Mas há uma certeza: está se falando de trilhões de dólares.
Além disso, Rosa lembra que bancos do mundo todo - sobretudo dos EUA - têm parte de suas reservas aplicadas em títulos públicos americanos. Se esses papéis são ‘rebaixados’, tendem a perder valor. Se perdem valor, os bancos são obrigados a colocar dinheiro vivo para compensar a queda. É um dinheiro que deixa de virar crédito.
Em outras palavras, trata-se de mais um canudo que drena recursos de uma economia que precisa deles para voltar a crescer. Na sexta-feira, o governo americano informou que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu bem menos do que os analistas projetavam no 2º trimestre.
US$ 2,4 TRILHÕES
O acordo, votado ontem à noite pela Câmara (o Senado deveria votá-lo de madrugada), prevê a elevação do teto da dívida em US$ 2,4 trilhões. Em troca, o governo Obama se compromete com cortes orçamentários de até US$ 4 trilhões até 2022. Amanhã será o prazo final para aprovar a lei.
EM NÚMEROS
US$ 1 tri É o corte imediato do déficit, imposto pelo acordo. Até novembro, outro plano deve reduzir déficit em US$ 1,5 tri nos próximos 10 anos.
(São Paulo, SP/AE)
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