A União Europeia anunciou nesta quinta-feira, 11, que está estudando a imposição de novas regras para evitar a especulação nas bolsas depois de a crise nos bancos europeus ter se aprofundado e o custo dos empréstimos interbancários ter chegado aos níveis do auge da crise do Lehman Brothers. Os bancos aceleraram a corrida por resgates de emergência do Banco Central Europeu (BCE) para garantir sua liquidez.
Reguladores da UE suspeitam que as fortes oscilações nos últimos dias estejam ligadas a ações de especuladores e não apenas às incertezas da crise. Nesta quinta, as ações subiram e caíram muito, numa volatilidade parecida com a dos dias após os ataques de 11 de setembro de 2001. Os mercados fecharam em alta.
Dados positivos do emprego nos EUA e uma reunião entre Alemanha e França surgiam como a explicação. Mas investidores em Zurique indicaram ao Estado que a alta só ocorreu quando os governos europeus se reuniram para tentar criar limites para a especulação, impedindo a venda e compra imediata de ações. Na prática, o que querem impedir é que ações sejam vendidas em massa por um agente do mercado, que depois as recompra, garantindo lucros.
Na reunião entre os reguladores, um acordo não foi obtido. Mas a negociação continuaria nesta sexta-feira. O Reino Unido se opõe à ideia, ainda que tenha sido adotada na Alemanha e na Espanha. A Itália espera adotar o controle a partir desta quinta. A proibição foi usada nos dias que se seguiram à quebra do Lehman Brothers.
O problema vai além de especulação na bolsa. O custo dos empréstimos entre os bancos atingiu um novo recorde ontem, gerando dúvidas se o sistema financeiro não estaria ás vésperas de uma nova quebra. "A sensação é muito parecida aos dias antes da quebra do Lehman Brothers, quando ficou claro que um banco não confiava nos demais", afirmou o estrategista do Commerzbank, Christoph Rieger.
A Libor, taxa de juros cobrada entre bancos, atingiu sua maior alta em quatro meses e bancos americanos admitiram que estão limitando suas operações com alguns bancos europeus. Bancos da Ásia também estariam reavaliando suas posições.
Os bancos mais atingidos foram os franceses. O Société Générale teve o custo de garantir seus empréstimos atingindo 325 pontos, alguns pontos abaixo do recorde de quarta-feira. BNP Paribas e Credit Agricole estão na mesma situação.
Nos últimos quatro dias, o BCE foi obrigado a injetar 6 bilhões nos bancos europeus.
A explicação dos especialistas é a grande exposição dos bancos aos títulos de países muito endividados. Bancos franceses têm uma exposição de 350 bilhões na dívida italiana. O mercado também vê com desconfiança o fato que bancos franceses terão de contribuir com 15 bilhões de euros para o resgate grego. (AE)
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