Navios de guerra participaram pela primeira vez, este domingo (14), da repressão aos protestos contra o regime sírio na cidade costeira de Latakia, deixando pelo menos 26 mortos, anunciaram ativistas pró-direitos humanos.
"Pelo menos 26 mártires caíram em Latakia no bombardeio de barcos de guerra contra civis desarmados e nas operações dos serviços de segurança e do exército", informou Ammar Qurabi, chefe da Organização Nacional de Direitos Humanos, que publicou uma lista nominal das vítimas.
Rami Abdel Rahman, diretor de outra ONG, o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), confirmou o bombardeio, feito do mar, aos bairros de al Raml e Qniniss.
Armas pesadas
O OSDH acrescentou que na ofensiva contra estes bairros, cenários nos últimos dias de manifestações maciças que pedem a queda do regime, participaram embarcações de guerra equipadas com metralhadoras pesadas e tanques.
Entre as vítimas de Latakia, o OSDH citou sírios e palestinos. Um dos bairros atacados abriga um campo de refugiados da Palestina.
A agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) manifestou no domingo sua "profunda preocupação" com estas informações e confirmou que houve um número indeterminado de "mortos e feridos". Além disso, exigiu um "acesso sem restrições" ao campo palestino.
Ataques
No sábado, vinte tanques se concentraram em al Raml e os moradores, temendo uma ofensiva, fugiram em massa, segundo as ONGs. Muitos vizinhos fugiram também de Qniniss, informou o OSDH, com sede na Grã-Bretanha, que divulgou estas informações a partir de testemunhos de militantes em campo.
Em outros incidentes, quatro pessoas morreram vítimas de disparos das forças de segurança quando elas intervieram nas cidades de Homs (centro), Hama (norte) e Idleb (noroeste), informaram os ativistas pró-direitos humanos.
Reiterando a versão divulgada pelo poder desde que começou o movimento contra o regime, em 15 de março, a agência oficial Sana anunciou que as forças intervieram em Latakia "a pedido dos moradores para expulsar os grupos armados" e deu um balanço de dois policiais mortos e 41 feridos. A agência desmentiu, ainda, que tenha havido uma operação marítima. (eBAND)
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