Entre as armas utilizadas pelas tropas de Muammar Kadhafi para atacar os manifestantes que se opõem à ditadura na Líbia estavam “centenas de pistolas brasileiras”. Na última quarta-feira (31), o jornalista Wyre Davies, da BBC, encontrou armamento vendido pelo Brasil em uma fábrica de alimentos próxima a Trípoli, que também funcionava como depósito de armas do regime.
A maior parte dos equipamentos, no entanto, era russa, segundo o repórter. Os rebeldes explicaram que o ditador tinha o costume de utilizar localidades civis como depósito de armamentos com o intuito de dificultar que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) identificasse os alvos para ataques aéreos.
Quarta-feira, duas mensagens contraditórias atribuídas a filhos de Kadhafi deixaram dúvida sobre a possibilidade de rendição do clã. Segundo a rede de TV Al Arabiya, que citou o Conselho Nacional de Transição, representação política dos rebeldes, como fonte, Saadi Kadhafi, terceiro filho do ditador, estaria disposto a se entregar se isso garantisse o fim do banho de sangue na Líbia. Ele teria pedido garantias para se apresentar em Benghazi.
No entanto, Saif al Islam, segundo filho do coronel, negou qualquer possibilidade de rendição – pelo contrário, disse que “a vitória está próxima”. “As notícias dos avanços e das ameaças são propaganda. Vocês foram tolos”, criticou em mensagem de áudio divulgada pela TV Al Rai.
Apesar das declarações de Saif al Islam, os rebeldes conseguiram mais uma vitória ontem, quando prenderam Abdelati Obeidi, ex-chanceler do regime. (eBand)
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