Em 11 de setembro de 2001, o jornalista Aaron Brown, 62 anos, trabalhou por 16 horas seguidas. Ele era o apresentador da rede CNN que ancorou toda a cobertura dos ataques ao World Trade Center. Dez anos depois, Brown não gosta de falar sobre aquele dia. Em um evento realizado na Pace Univerity, em Nova York, ele revelou a origem dessa dificuldade, e disse que uma década é muito pouco tempo para os Estados Unidos visualizarem um cenário que permita entender melhor o que aconteceu ao país naquela terça-feira.
"Dez anos pra mim é uma daquelas marcas artificiais. Na minha visão, uma década é muito pouco tempo para termos as perspectivas de que precisamos. Tudo ainda está muito recente", disse. Segundo ele, muitas famílias ainda estão sofrendo e milhares de pessoas ainda estão curando as cicatrizes para que os Estados Unidos possam se considerar bem de novo. "Não temos como nos recuperar até que eles estejam bem", afirmou. Para Brown, viver com o 11 de setembro é pior do que voltar de uma guerra. E foi uma cobertura dolorosa de se trabalhar.
"O 11 de setembro não aconteceu comigo, não aconteceu com você. O 11 de setembro aconteceu conosco. Aconteceu para os pais cujos filhos tiveram suas vidas mudadas para sempre, com os nova-iorquinos que tiveram sua cidade alterada, com os americanos que nunca mais viram o oceano. E eu não quero ser acusado, de maneira alguma, de sugerir que o 11 de setembro aconteceu comigo", disse, tentando explicar porque não gosta de falar sobre aquele dia. "Muitos comercializam o 11 de setembro. Eu não faço isso".
O apresentador, que cobriu os atentados do alto de um terraço, também falou da contradição existente entre a emoção de participar do maior evento jornalístico da história e da dor que isso representou. "Eu esperei toda a minha vida por um momento como aquele", revela, citando o momento em que assistiu pela televisão o anúncio da morte do presidente Kennedy, em 1963, pensando que seria aquela a sua profissão. "Eu me imaginei ancorando, contando uma grande história. E eu estava lá, contando uma grande história diante da maior audiência da história da televisão, mas eu estava de coração partido".
"Eu estava de coração partido porque eu sabia, durante as 16 horas em que trabalhei naquele dia, que vizinhos e amigos de minha comunidade não voltariam para casa", contou, para em seguida comparar aquela cobertura com outras as quais já havia participado. "Eu nunca havia registrado uma história cujas vítimas eram, de alguma forma, minhas conhecidas. Já estive em guerras, já escrevi muitas histórias na minha vida. Mas eu nunca conhecia as vítimas. Naquelas 16 horas, eu sentia que conhecia as pessoas, mesmo que não soubesse seus nomes, eu sabia que haveria pessoas do meu quarteirão que não voltariam para casa."
Por outro lado, Brown estava animado, vivia uma excitação que contagia quem escolhe o jornalismo. "Eu não posso mentir para vocês: eu também estava animado. Nós, repórteres, odiamos tragédias, mas nós somos arrastados para a história. Nós não conseguimos dormir direito à noite não só porque nossos corações estão partidos, mas também porque nossa alma está de alguma forma revigorada", explicou, citando o clássico momento em que o telefone toca na redação anunciando que algo grave aconteceu em algum lugar. As informações são do Portal Terra. (DOL)
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