A Europa exige e o governo de George Papandreou na Grécia cai. Ontem, líderes políticos gregos chegaram a um acordo para a formação de um governo de união nacional na esperança de aprovar o pacote de resgate da UE, impedir um calote total e evitar o caos financeiro no continente.
O governo grego é o quinto a ser derrubado pela crise na Europa. Mas, desta vez, o novo chefe de governo, as condições para assumir o poder e até a data de novas eleições foram determinadas por Bruxelas.
Papandreou confirmou que não fará parte do novo governo, oficialmente entregará seu cargo hoje e o novo primeiro-ministro será anunciado. Ontem mesmo, a imprensa local já indicava que o substituto seria Lucas Papademos, ex vice-presidente do Banco Central Europeu, um tecnocrata capaz de estar acima da disputa política grega e o nome apoiado pelos principais bancos europeus. Oficialmente, porém, o indicado será conhecido apenas amanhã e outros três nomes estavam na mesa de negociações hoje.
O acordo ainda segue outra exigência da UE. Eleições serão convocadas, mas só depois de a Grécia aprovar no Parlamento seus compromissos de reformas exigidos pela UE para que 130 bilhões de euros sejam liberados para o país pagar suas contas. Essa era uma exigência de Alemanha e França, que se recusavam a voltar a negociar com os gregos as condições de resgate. Vários partidos gregos insistiam que queriam rever os termos do acordo.
Se Papandreou cai, o ministro grego das Finanças, Evangelos Venizelos, pode permanecer em seu cargo. Ele é considerado como a pessoa de confiança da UE e vai a Bruxelas entregar aos demais ministros da zona do euro o compromisso de aprovação do pacote. “Temos de demonstrar que temos credibilidade”, disse.
Sem mostrar o compromisso em cortar gastos, salários e pensões, a Grécia não receberá nem a parcela de 8 bilhões de euros prevista para pagar as contas até o final do ano e nem o pacote de 130 bilhões de euros para 2012.
O dia tenso em Atenas começou com políticos fazendo declarações de guerra. Mas fontes no Parlamento grego revelaram que logo entrou em ação uma verdadeira ofensiva das capitais europeias, que exigia um acordo antes da abertura dos mercados e da reunião de ministros. (Atenas/AE)
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