Com a renúncia do Papa Bento 16 ocorrida no dia 28 de fevereiro a igreja católica está sem um líder. A partir desse dia se deu início ao período de Sé Vacante, que termina com a eleição do novo pontífice eleito pelos Cardeais.
A partir desta segunda-feira (4) será realizada a primeira reunião com o Colégio de Cardeais para definir os detalhes da eleição do novo Papa. Essa reunião, a portas fechadas, dá o pontapé ao chamado conclave, que tem a função é eleger o novo pontífice e pode durar horas ou dias. Podem votar e ser votados cardeais com menos de 80 anos, contudo não podem votar em sim mesmos. Para que um Papa seja eleito ele precisa de dois terços dos votos.
Os cardeais se reunirão na Capela Sistina e irão votar em cédulas feitas de papel. Para garantir o sigilo eles escrevem em caligrafia diferente. Após isso os votos são dobrados e colocados em uma urna de bronze. Ao final de cada seção os votos são queimados e se a fumaça que sair da chaminé da capela for preta significa que ainda não se elegeu o novo Papa, mas se a fumaça que sair for branca indica que o novo pontífice já foi escolhido.
A renúncia papal é garantida pelo Código de Direito Canônico. O fato não ocorria desde 1415 com a saída do Papa Gregório XII que anunciou a renúncia do cargo para acabar com uma crise religiosa na igreja denominado de o Grande Cisma do Ocidente. Bento 16 é o primeiro papa moderno a renunciar ao cargo papal.
Papa também deve cuidar do mundo
Os desafios que o novo Papa terá pela frente são inúmeros e a expectativa que antecede ao Conclave para a escolha do perfil do novo Papa norteia fiéis, padres e religiosos. Para o Secretário Executivo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil Regional Norte 2 (CNBB) e coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Padre Paulo Joanil da Silva, também conhecido como Padre Paulinho, espera que o novo líder da igreja “seja um homem que Jesus sonhou e deixou como legado aos seus apóstolos”.
Para o secretário, o novo Papa deve animar a igreja incentivando a renovação que já foi abraçada pela própria igreja no Concilio Vaticano II e que este ano completa 50 anos.
Padre Paulinho considera importante que o novo Papa tenha sensibilidade e um maior diálogo com o mundo, uma compreensão com a ciência e uma visão moderna de como utilizar a comunicação com os fiéis. E ainda destaca “sublinho também que o novo Papa deva ter uma preocupação com a vida no planeta, pois nada adianta ficarmos olhando para o passado e para as leis senão olharmos para os grandes desafios que o mundo sofre como a destruição do meio ambiente causado pelo modelo econômico atual”.
Igreja deve tratar da realidade atual
Em tempos de mudanças sociais, econômicas e culturais espera-se que o novo Papa tenha um perfil para a missionalidade do mundo. É o que acredita o monsenhor Raimundo Possidônio, vigário-geral de pastoral da Arquidiocese de Belém. “O papa não deve perder de vista a missão da igreja. Deve ter um olhar amplo da igreja e do seu povo”.
Sobre a realidade Amazônica e os dados do IBGE que apontou no Censo Demográfico de 2010 um declínio no número de adeptos católicos no Brasil, Padre Possidônio reflete que “Há atualmente outra cultura, e a questão cultural é um desafio para a igreja católica. Antes a maioria do povo encontrava-se no meio rural, onde os valores e os costumes eram valorizados. Com o processo de urbanização, as mudanças culturais também ocorreram e com eles, os valores, a realidade social e econômica dessa população assim como os problemas. A igreja tem uma dificuldade em lidar com isso e precisa retrabalhar e está atendo a essa nova realidade”.
Papa precisa agir com a juventude
A questão da juventude também será um dos pontos importantes para o novo Papa. O senhor Raimundo Godim, do grupo de liturgia espera um novo Papa moderno, “A igreja precisa se modernizar, se atualizar, tendo um novo olhar para a juventude. Antigamente os jovens iam para a igreja por que acompanhavam os pais. Hoje ela [igreja] precisa atrair esse jovem não para ser apenas um acompanhante, mas sim que ele frequente a igreja de forma espontânea”.
A principal ferramenta para conquistar a juventude será a forma como o novo Papa se comunicará com o segmento e destaca “E o principal é como ele vai se comunicar com esse jovem, o jovem de hoje não é mais o jovem da minha época. Hoje o jovem não aceita mais simplesmente, ele quer discutir, analisar os fatos e expor também sua opinião, ele quer interagir”.
Sobre a origem do novo Pontífice alguns fiéis esperam que seja um latino-americano ou africano. Raimundo Godim acredita que esse ano possa ser de origem africana. Já para a advogada Helena Guerra, 45, participante da Comunidade Shalom, ela acredita que a parte geográfica não é determinante “Nós devemos nos colocar em oração. Independente de onde ele vier, de que parte geográfica, ele virá com a missão de nos conduzir, assim como cristo conduziu o seu povo”.
(Diário do Pará)
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