Documentos secretos e inéditos da National Security Agency (NSA) foram copiados e distribuídos a diferentes pessoas pelo mundo e virão a público caso algo aconteça ao ex-analista Edward Snowden, responsável por seu vazamento, ou ao jornalista Glenn Greenwald, que publicou parte do material vazado. A informação foi divulgada pelo próprio Greenwald durante o 8º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que se realiza simultaneamente à 5ª Conferência Latino-americana de Periodismo de Investigación e à 8ª Conferência Global de Jornalismo Investigativo.
“As informações estão nas mãos de outras pessoas”, disse Greenwald, no painel “Vigilância e governo secreto”, na Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-RJ). “Se algo acontecer, os documentos ainda estão disponíveis e serão utilizados.”
O jornalista americano, que divulgou no britânico The Guardian papéis que comprovam que a NSA (agência de inteligência de sinais norte-americana) interceptou comunicações de vários países, inclusive o Brasil, afirmou ter quatro ou cinco novas histórias prontas, envolvendo Espanha e França. Ele rebateu críticas por não revelar tudo o que tem de uma vez e disse que os documentos estão sendo trabalhados. O material é protegido por criptografia.
Greenwald afirmou que o governo dos EUA jamais apresentou explicação convincente para ter a Petrobras como alvo de vigilância, assim como o Canadá nunca explicou o interesse de sua inteligência pelo Ministério das Minas e Energia do Brasil. Oficialmente, a alegação genérica dos EUA é a prevenção de terrorismo. Em ocasiões anteriores, Greenwald afirmara que o interesse da espionagem americana contra os brasileiro é econômico. O objetivo seria beneficiar, com informações privilegiadas, empresas com interesses na economia brasileira.
“Não acho que ninguém ache que há um terrorista na Petrobras ou um pedófilo no Ministério das Minas e Energia. Talvez até haja, mas não é por isso que estão espionando o Brasil”, ironizou.
Greenwald acusou os EUA de terem feito “bullying” contra países que mostraram disposição de ajudar Snowden. Mesmo Cuba, inicialmente aberta a deixar um avião com o ex-analista passar por seu território, desistiu.
(AE)
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