Ariel Sharon, que morreu neste sábado, aos 85 anos, nasceu em um assentamento judaico no então território palestino administrado pelo Reino Unido, período conhecido como Mandato Britânico da Palestina. Seu pai era judeu de origem lituana e sua mãe uma judia de origem russa. Em 1942, aos 14 anos, ele entrou para uma força paramilitar formada por jovens, e mais tarde ingressou no Haganá, força paramilitar judaica clandestina que lutava pelo fim da administração britânica da Palestina.
Em 1948, Sharon comandou uma companhia de infantaria na Guerra da Independência e ficou ferido na batalha por Latrun, numa tentativa frustrada de libertar judeus sitiados em Jerusalém. Em 1949 foi promovido a comandante da companhia e em 1951 a oficial de inteligência. Após a Guerra, Sharon foi estudar História e Cultura do Oriente Médio na Universidade Hebraica em Jerusalém.
Em 1953, criou e comandou um grupo de elite conhecido como Unidade 101. O grupo realizou uma série de ataques contra os vizinhos palestinos, o que trouxe mais confiança a Israel e fortaleceu sua resistência. Entretanto, a unidade também foi criticada por ter atacado civis e soldados palestinos, no conhecido episódio do massacre de Qibya, no outono de 1953, quando cerca de 60 civis palestinos foram mortos na Cisjordânia.
Com o passar dos anos, Sharon foi sucessivamente promovido até tornar-se general durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Dois anos depois, ele assumiu o controle do Canal de Suez durante a Guerra de Atrito em 1969.
Sharon deixou a vida militar em 1973 e começou a investir em sua carreira política ao ajudar a fundar o Partido Likud. Neste mesmo ano, voltou ao Exército para atuar na Guerra de Yom Kippur e posteriormente foi eleito membro do Knesset (Parlamento), mas renunciou ao cargo um ano depois. Em 1975, assumiu o posto de assessor de segurança do então primeiro-ministro Yitzhak Rabin e em 1977 foi reeleito para o Knesset.
Em 1981, Sharon assumiu o cargo de ministro da Defesa e passou a apoiar e incitar os cristãos contra os muçulmanos no Líbano, com o objetivo de transformar o país em um posto avançado de Israel. Um ano depois, Sharon planejou a invasão do Líbano, mas perdeu o cargo de ministro da Defesa e foi acusado por negligência ao ter permitido que falangistas libaneses maronitas invadissem dois campos de refugiados palestinos - Sabra e Shatila - situados em área controlada pelo exército israelense. As milícias entraram nesses campos e mataram indiscriminadamente centenas de homens, mulheres e crianças, num massacre que entrou para a história.
Embora um escândalo desta proporção possa destruir a carreira política de muitos, Sharon continuou na vida política fazendo parte de sucessivos governos. Foi ministro de várias pastas, entre elas, da Agricultura, da Indústria e Comércio, da Construção e Habitação, ministro da Infraestrutura e de Relações Exteriores.
(AE)
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