Conhecido como fervoroso partidário da colonização israelense de territórios palestinos, em 2005 o novo líder de Israel surpreendeu o mundo ao organizar a retirada unilateral dos judeus da Faixa de Gaza e o desmantelamento das colônias instaladas na região, após 38 anos de controle militar por Israel. Ex-primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, morre aos 85 anos, neste sábado (11).
Embora essa retirada tenha sido vista, a princípio, como uma vitória da resistência palestina contra a ocupação israelense, alguns analistas consideram a desocupação da Faixa de Gaza como um movimento estratégico de Israel, visando manter o controle da Cisjordânia e evitar que um eventual ataque aéreo israelense a Gaza - tal como efetivamente ocorreu depois, durante a Operação Chumbo Fundido - pudesse atingir assentamentos judeus e cidadãos israelenses.
A implementação do plano de retirada foi vista como um sucesso pela maioria do povo de Israel, mas resultou em protestos de ministros do Likud, que levaram Sharon a deixar o partido e fundar nova agremiação de centro, o Kadima, em novembro de 2005.
Em dezembro do mesmo ano, no entanto, o primeiro-ministro israelense sofreu um pequeno derrame. Na ocasião, os médicos afirmaram que o líder não havia sofrido lesão cerebral grave irreparável. Mesmo assim, em 4 de janeiro de 2006, Sharon teve um novo acidente vascular cerebral que o deixou em coma. O primeiro-ministro de Israel foi então declarado "permanentemente incapacitado" e substituído por Ehud Olmert.
Conhecido como "Arik" entre os amigos, o premiê israelense foi casado duas vezes. Sua primeira mulher, Margalith, morreu em um acidente de carro em 1962. Com ela, Sharon teve um filho, Gur, que morreu em 1967 aos 11 anos com um tiro acidental enquanto ele e um amigo brincavam com um rifle do pai. Em 1963, Sharon casou-se com a sua cunhada Lily, irmã mais nova de Margalith, mãe de seus dois outros filhos Omri e Gilead. Lily morreu de câncer em 2000. Sharon tem três netos.
(AE)
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