Nove soldados ucranianos e pelo menos três civis morreram últimas 24 horas no leste da Ucrânia, apesar da trégua em vigor entre as forças ucranianas e os separatistas, anunciaram as autoridades de Kiev.
Os separatistas afirmaram que perderam cinco pessoas na cidade de Donetsk, o reduto do movimento separatista pró-russo. A agência de notícias russa Interfax citou fontes insurgentes dizendo ainda que seis civis morreram em ataques do Exército ucraniano.
Mais cedo, a prefeitura de Donetsk havia informado a morte de três civis nas últimas 24 horas e destacou que a situação na cidade era "muito tensa".
Transcorrido quase um mês desde a declaração da trégua, em 5 de setembro, os embates entre os dois grupos continuam, embora com menos intensidade, segundo constata a missão de observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE).
Os conflitos ocorrem principalmente na região do aeroporto de Donetsk, que é controlado por forças governamentais.
Segundo a ONU, mais de três mil pessoas teriam morrido desde abril em Donetsk e Lugansk, em confronto entre o Exército e os separatistas.
A Ucrânia e seus aliados ocidentais acusam a Rússia de apoiar militarmente os separatistas, enviando armas e tropas ao território ucraniano.
CORPOS
Cerca de 400 corpos, a maioria de civis, foram encontrados em necrotérios de Donetsk e outras regiões rebeldes da Ucrânia, disseram nesta segunda-feira as autoridades separatistas.
"Atualmente há cerca de 400 corpos nos necrotérios, dos quais 350 são de civis, e muitos estão em estado que torna impossível a identificação", afirmou o vice-primeiro-ministro do governo separatista de Donetsk, Andrei Purguin.
Os corpos pertenceriam a pessoas que morreram desde o começo da operação militar ucraniana no leste do país para neutralizar a sublevação armada das milícias pró-russas, há quatro meses.
Purguin acrescentou que "os corpos foram encontrados em diferentes lugares que agora estão sob controle dos rebeldes, mas que antes eram controlados pelas forças ucranianas", segundo a agência russa "Interfax".
Na semana passada, o primeiro-ministro da República Popular de Donetsk, Aleksandr Zakharchenko, informou que foram encontrados cerca de 40 cadáveres de civis em valas comuns na região.
Dois dias depois, as autoridades ucranianas anunciaram a descoberta de três valas comuns na cidade de Slaviansk, região que era controlada por milicianos pró-Rússia até o início de julho.
ACORDO
A Rússia fez uma nova advertência nesta segunda-feira de que irá retaliar se a União Europeia e a Ucrânia levarem adiante as medidas para implementar um acordo de livre comércio.
O governo ucraniano e a União Europeia concordaram este mês em adiar a implementação do acordo até 31 de dezembro de 2015, depois que a Rússia ameaçou impor tarifas de importação a mercadorias ucranianas se o pacto com a UE for adotado.
A Rússia diz que sua economia seria prejudicada pelo acordo de livre comércio porque ele levaria a Ucrânia a exportar mercadorias europeias mais baratas para o mercado russo, afetando os produtos locais.
Segundo a agência de notícias RIA, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a Rússia estava "pronta para tomar medidas em resposta se (a implementação do acordo) for realizada, em violação de acordos anteriormente alcançados".
A UE espera que o adiamento da implementação do acordo de livre comércio lhe dê tempo para amenizar as preocupações da Rússia sobre o assunto. A Rússia disse que quer negociações de três vias para emendas ao acordo.
A Rússia e a União Europeia estão em desacordo sobre a Ucrânia, onde o presidente que era apoiado por Moscou foi deposto em fevereiro, após protestos de rua.
O novo presidente eleito, Petro Poroshenko, é alinhado com a UE e retomou esse acordo comercial que havia sido suspenso pelo presidente anterior, Viktor Yanucovich.
(Folhapress)
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