Empresários da Argentina afirmam estar preocupados com a desvalorização do real. O presidente da UIA (União Industrial Argentina), Héctor Méndez, disse que a associação está "em alerta amarelo pela situação cambial". No dia 13 de setembro, R$ 1 valia US$ 0,43, e, na sexta-feira (14), US$ 0,38, o que equivale a uma queda de 11,6%.
Essa perda de valor nos últimos dois meses faz com que os produtos argentinos fiquem relativamente mais caros para os brasileiros e, portanto, mais difícil para que o mercado argentino exporte para o Brasil.
Para o economista José Maria Fanelli, do Centro de Estudos de Estado e Sociedade, esse problema soma-se a um outro com o qual a Argentina precisa lidar, que são os preços da soja, o principal produto que o país exporta."As vendas externas na Argentina têm dois principais componentes, as commodities, basicamente soja, e as exportações ao Brasil.
Tradicionalmente temos uma balança deficitária, mas, quanto menos exportamos, mais deficitária fica", diz Fanelli.
EM BAIXA
De janeiro a setembro deste ano, o Brasil importou US$ 11,3 bilhões da Argentina. É uma queda de 12% em relação ao mesmo período de 2013, mas a queda das exportações foi ainda maior: 23%.O Brasil, que tradicionalmente tinha um superavit comercial com a Argentina, acumula um deficit de US$ 110 milhões. Os dados são do governo argentino.
O economista-chefe da UIA, Diego Coatz, diz que, mais do que a desvalorização do real, o que preocupa é o baixo crescimento brasileiro. "Se a desvalorização [do real] tiver uma consequência positiva na economia, o efeito [da perda de competitividade argentina] pode ser compensado."
AJUSTE FISCAL
O brasileiro Ricardo Sennes, da consultoria Prospectiva, que esteve em Buenos Aires para fazer uma palestra a empresários, diz que, se Brasília decidir fazer um ajuste fiscal, uma das coisas que podem ser cortadas seriam os incentivos dados às indústrias do país. E que, desse jeito, os produtores argentinos de automóveis e autopeças, químicos, máquinas e têxteis podem se tornar comparativamente mais competitivos.
(Folhapress)
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