Sob várias críticas e denúncias de violações aos direitos humanos, o Marrocos recebe, a partir de hoje (27) a domingo (30) o 2º Fórum Mundial de Direitos Humanos (FMDH). A diretora da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), Salete Valesan, explicou que, embora de tradição muçulmana, o Marrocos foi escolhido para sediar o encontro porque, durante a primeira edição do evento, em Brasília, no ano passado, ativistas marroquinos garantiram que no país os debates seriam respeitados por meio de “um número muito grande de atividades livres”.
O compromisso está sendo cumprido. Oficialmente, a programação não traz, por exemplo, debates de questões delicadas para o país, como as que envolvem diretamente os direitos das mulheres, LGBT - Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros - e liberdade religiosa. Mesmo assim, esses assuntos estão sendo tratados pelos países participantes do encontro que organizaram atividades paralelas. O Brasil tem um espaço específico no fórum, com uma programação extensa de mesas e oficinas temáticas sobre esses e outros assuntos.
“Durante o fórum, há um número muito pequeno de atividades oficiais, mas tudo vai acontecer aqui: protestos, debates, elogios e críticas pra quem precisa. O governo ( marroquino) já é alvo de protestos nas redes sociais, por exemplo, pelo movimento feminista”, explicou Salete.
Ainda segundo a diretora da Flasco, o Marrocos viveu período muito forte de criminalização dos movimentos socais de luta pelos direitos humanos, especialmente das mulheres, com a prisão de muitos ativistas. “Esses problemas ainda existem. Não em grau tão elevado como já foi, mas vem acontecendo cotidianamente”, disse.
(Agência Brasil)
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