Era para ser mais um fim de noite normal em Paris para a jornalista paraense Caroline Louise, 29 anos. Ela estava no metrô, indo para o centro para se divertir com amigos. Poucas estações depois, o pânico tomou conta dos passageiros. O condutor avisou para todos saírem do trem e da estação o mais rápido possível. Todas as estações estavam sendo evacuadas e fechadas pela polícia. Começava ali uma sexta-feira 13 de medo e violência na Cidade Luz.
"Na rua, sirenes para todos os lados. Foi assustador! Paris estava sendo atacada e 40 pessoas estavam mortas no centro da cidade”,Caroline Louise, 29, jornalista
Ataques com tiros e explosões deixaram pelo menos 140 mortos em locais de grande movimentação de Paris. Mais uma vez o terror deixava o mundo perplexo no pior ataque sofrido pela França nas últimas décadas. Curiosamente, os ataques aconteceram num momento em que a França havia aumentado as medidas de segurança para a conferência do clima, que começa em duas semanas, pelo temor de protestos violentos e de ataques terroristas. No meio da multidão de franceses e estrangeiros que vivem em Paris ou faziam turismo na cidade, estava a jornalista paraense Caroline Louise.
Assim que ouviu o alerta no metrô, ela saiu correndo da estação, em pânico, como todos os que estavam no trem. “Ao chegar na rua, eu só ouvia sirenes para todos os lados. Foi assustador! Completamente assustador!”, disse Caroline, ao DIÁRIO. No mesmo momento, um amigo francês da brasileira acabara de lhe avisar que Paris estava sendo atacada por terroristas e que já havia dezenas de mortos pela cidade. “Estávamos todos aterrorizados”, declarou a jornalista paraense.
CERCO E TERROR
Ao sair da estação de metrô, Caroline continuou correndo pelas ruas. Ela lembra de ver pessoas atordoadas, apavoradas, e de ouvir sirenes por todos os lados. Decidiu ir para a casa de um amigo. Ao chegar lá, viu o pronunciamento pela TV, ao vivo, do presidente da França. François Hollande estava nervoso, angustiado. Anunciava que o país estava fechando todas as fronteiras. Todos os bares, casas noturnas e o Estádio da França estavam fechados.
O estádio de futebol, onde estava acontecendo uma partida entre França e Alemanha, também foi algo de ataques terroristas. “Na TV, foi dado o alerta: ‘Não saiam de casa, em hipótese alguma!’”, lembrou. As reportagens davam conta de que, a cada momento, aumentava o número de mortos. E Caroline assistia a tudo horrorizada e consternada.
Ela mora em Paris há 4 meses, onde estuda francês. Vive num apartamento perto do Arco do Triunfo, um dos cartões-postais da cidade. Apesar de muito amedrontada e nervosa, fez questão de afirmar que pretende continuar em Paris. “Mais uma vez, a França é alvo do terror. É estranho, mas as pessoas daqui acham isso até certo ponto normal”, disse. A paraense prefere manter vivos a esperança e o amor por Paris. “Tudo isso vai passar. Vai ser superado”.
(Luiz Flávio/Diário do pará)
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