A mãe relatou há duas semanas que, um dia antes, seu filho a visitou pela última vez, mas não se comportou como sempre. Tinha "os olhos vermelhos e me abraçou", contou.
Nos três dias seguintes, Bilal ligou para ela em várias ocasiões durante a viagem, mas no quarto seus outros três filhos a visitaram para lhe informar que o irmão tinha viajado à Síria.
Fatima desconhecia com que pessoas seu filho mais novo se relacionava, mas notou mudanças em seu comportamento, porque deixou "de fumar cigarros e haxixe" e "jejuou nas segundas-feiras e nas quintas para pedir perdão a Deus".
Mas a mãe via como positivo que ele se arrependesse e deixasse o álcool e a drogas.
Uma de suas ex-professoras do ensino médio descreveu o estudante como uma pessoa "politizada", que havia se radicalizado em poucos meses. Sara Stacino afirmou à rede de televisão belga "VRT" que depois do ataque à revista satírica francesa "Charlie Hebdo", em janeiro, Hadfi defendeu o atentado, argumentou que os "insultos à religião" deveriam parar e que era preciso "acabar com a liberdade de expressão".
A professora de história se inquietou e informou sobre este comportamento ao conselho estudantil local e à direção do colégio onde Bilal estudava.
Já na Síria, o suicida pediu a seus irmãos que não chorassem por ele e que era sua decisão se unir ao grupo terrorista Estado Islâmico (EI). Ele teria dito, segundo o "La Libre Belgique", que na Bélgica "não tinha um lugar".
Fatima tentou manter contato com seu filho e não informou o caso à polícia, já que temia que isso evitasse seu retorno.
Bilal jamais disse onde estava, mas pediu a sua mãe que se unisse a ele na Síria para participar da criação do EI. Queria que ela rompesse todos os laços com a Bélgica, a qual chamava de "país dos infiéis".
Em 8 de março, a polícia belga entrou no apartamento de Fatima para uma operação de busca e apreensão e deteve seu filho mais velho. Desde então, Bilal Hadfi está registrado em uma lista do Órgão de Coordenação para a Análise das Ameaças (OCAM)
Fatima garantiu antes dos atentados que não tinha notícias de seu filho havia três meses.
(DOL, com informações do portal Terra)
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