Quem nunca tentou esquecer um fato ruim, seja a perda de alguém, o fim de um relacionamento, uma situação vexatória ou mesmo alguma derrota em um esporte? O antigo desejo de apagar da mente lembranças ruins parece estar perto de virar realidade.
Segundo o documentário Memory Hackers, alguns medicamentos e mesmo processos químicos podem colaborar para isto. De acordo com o portal Galileu, para a memória se formar, é preciso que proteínas estimulem nossas células cerebrais o suficiente para crescerem e formar novas conexões. Assim que isso acontece, a memória fica "guardada" na mente, e em geral fica lá até ser acessada novamente por nós. Mas memórias de longo prazo não são estáveis: sempre que revisitamos essa lembrança, ela se torna mais "maleável" e forte do que antes, em um processo chamado de "reconsolidação". Esse fenômeno também explica porque algumas lembranças mudam um pouco ao longo dos anos, e é justamente ele que pode oferecer um caminho para cientistas conseguirem "hackear" memórias, explica o portal.
Ainda de acordo com o documentário, a norepinefrina ou noradrenalina, se bloqueadas, podem "afastar" lembranças dolorosas e impedir que sejam associadas a emoções negativas.
Teste
Segundo o portal Galileu, os pesquisadores fizeram um teste com pessoas que tem pavor de aranhas: três grupos de voluntários com aracnobofia foram organizados. Dois deles encararam uma tarântula em uma garrafa de vidro, para que suas memórias traumatizantes com aranhas fossem ativadas, e então receberam propranolol ou um placebo. O terceiro grupo recebeu apenas propranolol, sem ver a aranha, para que os pesquisadores pudessem eliminar a possibilidade de que a droga, simplesmente, pudesse reduzir o medo.
Nos meses que se seguiram, os grupos foram novamente apresentados a uma tarântula, e o medo que sentiram foi medido. Os resultados foram, no mínimo, incríveis – enquanto o grupo que recebeu placebo ou não foi exposto a aranha continuou com o mesmo medo, aqueles que receberam a droga e encararam a tarântula foram capazes de tocar o animal em poucos dias. Em três meses, a maioria deles foi capaz de segurar a aranha confortavelmente, e o medo não voltou por mais de um ano. A fobia havia sido, para todos os efeitos, "deletada", explica o portal.
Ainda de acordo com o Memory Hackers, não são exatamente as memórias que nos causam dor, mas sim as associações que fazemos a elas. Ou seja, por vezes "deletar" casos tristes da memória podem não ser totalmente úteis.
E você, tem algo que gostaria de esquecer?
(DOL)
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