Os suíços recusaram, por meio de um referendo, uma proposta para que cada cidadão recebesse uma renda básica de 2.500 francos suíços (algo em torno de R$ 9.000) por mês por adulto, empregado ou não, e 625 francos (aproximadamente R$ 2.260) por cada criança. A consulta pública foi realizada neste domingo (5).
Segundo o site DN, de Portugal, cerca de 78% dos votantes recusaram a proposta da renda básica universal. De acordo com a agência Folhapress, o salário médio na Suíça é maior do que 6.000 francos (algo em torno de R$ 21.700). A população suíça soma mais de 8 milhões.
Ainda segundo a Folhapress, a proposta era rejeitada pelo governo suíço, já que ela custaria 208 bilhões de francos suíços (aproximadamente R$ 753 bilhões) por ano aos cofres públicos. O valor seria coberto, em grande parte, por verbas de previdência social já existentes, mas a diferença de cerca de 25 bilhões de francos teria que ser obtida
A taxa de desemprego na Suíça é de 3,4% e o PIB per capita, US$ 84.069, segundo estimativa do FMI (Fundo Monetário Internacional) de 2015. Segundo a mesma estimativa, o PIB per capita do Brasil em 2015 era de US$ 9.312. O desemprego no Brasil atingiu 10,9% no primeiro trimestre.
RENDA MÍNIMA UNIVERSAL
A ideia da renda mínima universal não é nova - há 500 anos, o autor Thomas More defendeu a renda básica no livro Utopia, e projetos em escala regional foram testados em diversos países - mas a possibilidade de implementação incondicional, institucionalizada e em larga escala é inédita.
Se tivesse aprovado o projeto, a Suíça passaria a ser a primeira sociedade a desfrutar da prosperidade gerada pelo "dividendo digital".
A noção defendida por eles é de que a desassociação entre trabalho e renda será inevitável no futuro, pois cada vez mais a tecnologia está substituindo a atividade humana em países desenvolvidos. Ainda de acordo com esse pensamento, a Suíça deveria se adiantar a essa tendência e libertar a capacidade humana das obrigações econômicas como meio de garantir "segurança e liberdade" aos seus cidadãos.
"Robôs absorvem cada vez mais trabalho. É agora nosso dever reorganizar a sociedade de modo que a Revolução digital dê a todos uma vida digna: atividades de própria escolha e que façam sentido", afirmam os defensores da causa em um documento explicativo enviado aos eleitores.
"Produzimos três vezes mais do que conseguimos consumir (…), mas isso não está acessível a todos. A renda mínima é um direito nesse contexto. Por que não tornar a riqueza acessível a todos?", questiona o porta-voz do movimento pela renda mínima, Che Wagner, em entrevista à BBC Brasil.
O professor em história da Economia e Pensamento Político da Universidade de St.Gallen e autor do livro Austeridade: Breve História de um Grande Erro, Florian Schui, avalia que no contexto histórico a sociedade está mudando e há abertura para novos conceitos.
"É útil promover uma sociedade em que as pessoas tenham a estabilidade para tentar coisas novas (…), é útil dar a liberdade para as pessoas serem criativas. Isso vai ajudar muito a Suíça se for adotado", opina.
(Com informações dos portais DN e BBC Brasil e da agência Folhapress)
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