O governo da Turquia suspendeu quase 13 mil policiais, mandou prender dezenas de militares da Força Aérea e ainda fechou um canal de TV. Tudo isso apenas nesta terça-feira(04). As ações ampliam a repressão do Estado contra os que são percebidos como inimigos após a tentativa de golpe fracassada de julho.
Corte de sinal do canal IMC
A polícia turca invadiu a emissora de televisão IMC e cortou a transmissão do canal, disse uma testemunha da Reuters, dias após a estação ter o sinal cortado pela primeira vez por acusações de "espalhar propagandas terroristas".
Dezenas de jornalistas e funcionários ficaram dentro dos estúdios de TV e aplaudiram em protesto à pausa da transmissão, que ocorre um dia após a Turquia estender um estado de emergência por mais três meses.
A IMC, sediada em Istambul, dedica boa parte de sua cobertura à insurgência militante no sudeste, de maioria curda, e está entre as 20 estações de rádio e TV operadas por curdos ou a minoria religiosa alevi que foram banidas na semana passada por autoridades turcas com base em um decreto governamental.
Policiais suspensos
O comando da polícia informou que 12.801 agentes, incluindo 2.523 em posição de chefia, foram suspensos porque são considerados suspeitos de terem ligação com o clérigo que mora nos Estados Unidos Fethullah Gulen, a quem o primeiro ministro turco, Recep Tayyp Erdogan, acusa de ter planejado a tentativa de derrubar o governo.
Gulen, que decidiu se exilar na Pensilvânia, Estados Unidos, nega qualquer relação com o golpe, que resultou na morte de mais de 240 pessoas.
As suspensões foram ordenadas horas depois de o vice-primeiro-ministro, Numan Kurtulmus, ter anunciado que o governo havia aprovado uma extensão de 90 dias do estado de emergência, renovando os poderes do presidente Erdogan de governar por decreto até pelo menos janeiro.
A extensão significa que Erdogan pode tomar decisões sem a supervisão da Corte Constitucional, o mais importante tribunal turco.
(Com informações de Reuters)
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