O parlamento da Venezuela suspendeu, nesta terça-feira (1º), o julgamento sobre a responsabilidade do presidente Nicolás Maduro na crise do país, diante do início de um diálogo da oposição com o governo. mediado pelo Vaticano, no domingo (30).
"Aprovado, concorda-se com adiar" os pontos da agenda desta terça, anunciou o presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup, ao explicar que não se trata de uma "capitulação" da oposição, mas da busca por uma solução para a crise.
"Se o Vaticano exigiu que se sentem em uma mesa, tem de ser feito. Não podemos nos negar essa possibilidade", afirmou Allup antes da votação a respeito da suspensão, segundo o jornal local "El Nacional".
Nova sessão sobre o tema foi convocada para a próxima terça-feira (8), às 14h. A oposição também suspendeu a passeata convocada para esta quinta-feira (3), que teria sua concentração final no Palácio Presidencial de Miraflores. O recuo teria sido decidido a pedido do Vaticano. "Nos pediram que os eventos de marcha para quinta-feira sejam adiados. É sensato acatar", afirmou Allup.
Na manhã de terça, representantes de países na ONU se reuniram em Genebra e pediram que a Venezuela aceite a presença de inspetores de direitos humanos das Nações Unidas.
A chanceler do país, Delcy Rodríguez, se mostrou evasiva. "Só convidaremos países que não tenham opiniões direcionadas", afirmou.
Além disso, Brasil o Uruguai pediram ao país que aceitasse voltar à jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos.
NEGOCIAÇÕES
No domingo (30), o governo Maduro convocou uma reunião com a oposição, sob a mediação do Vaticano, num museu nos arredores da capital Caracas.
Maduro abriu a reunião no Museu Alejandro Otero dizendo que assumia um "compromisso total e absoluto com este processo de diálogo".
"Estendo a mão à MUD para dialogar", afirmou o presidente, diante do secretário-geral da MUD (Mesa da Unidade Democrática), coalização de oposição ao governo Maduro, Jesús Torrealba, e representantes dos partidos de oposição Acción Democrática, Primero Justicia e Un Nuevo Tiempo.
Após o início do diálogo entre as duas partes, cinco opositores do governo que estavam presos foram soltos nesta segunda-feira (31).
(Folhapress)
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