O presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, cancelou sua visita a Washington depois que Donald Trump declarou que caso não pretenda pagar pelo muro que será construído na fronteira entre os dois países, não precisava se deslocar. Em coletiva de imprensa, Trump fez discurso protecionista justificando a construção.
Pouco depois da ameaça, Peña Nieto anunciou o cancelamento da visita, programada para a próxima terça-feira (31). "Esta manhã informamos à Casa Branca que não participarei da reunião de trabalho programada para a próxima terça-feira com o @POTUS (presidente dos EUA)", escreveu Peña Nieto em sua conta oficial no Twitter, em reação à mensagem de Trump, que tuitou: "Se o México não quiser pagar o muro tão necessário, melhor que cancele sua próxima visita".
Em entrevista coletiva em Filadélfia, Trump declarou que "um encontro com Peña Nieto teria sido infrutífero", sugerindo que o presidente cancelou a visita por não querer arcar com as despesas do muro. A Casa Branca, no entanto, afirma que um novo encontro pode ser marcado e que a agenda está aberta. Em um discurso protecionista, em nome de milhares de empregos para os americanos, ele voltou a defender a construção.
Trump vem argumentando que os Estados Unidos têm um déficit comercial com o México da ordem de US$ 60 bilhões. "Foi um acordo de apenas um lado desde o início do Tratado de Livre Comércio da América do Norte, com enorme número de empregos e empresas perdidas", disse Trump.
Este aumento da tensão nas relações bilaterais em razão do muro coincide com a intenção do presidente americano de renegociar o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), que os dois países integram junto com o Canadá.
O "muro da discórdia"
Na quarta-feira (25), o presidente americano assinou dois decretos sobre o fortalecimento da vigilância migratória, sendo que o primeiro deles determina o início "imediato" dos passos necessários para construir um "muro físico" na fronteira. Em declarações à rede de TV ABC News, Trump insistiu que o México pagará pela gigantesca obra, cujo custo pode alcançar até US$50 bilhões, segundo diversas fontes.
Na mesma entrevista, Trump admitiu que os Estados Unidos vão pagar pela obra, mas apontou que "mais adiante" o México ressarcirá o dinheiro "mediante qualquer transação que faremos" com esse país. Esse mecanismo para fazer com que o México pague aos Estados Unidos pode ser "complexo", indicou Trump, que, no entanto, não deixou dúvidas de que isso acontecerá.
Trump planeja imposto de 20% sobre produtos mexicanos para pagar muro
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende impor um imposto de 20% sobre as exportações mexicanas aos EUA e usar o montante obtido para financiar o muro prometido na fronteira com o vizinho.
A proposta, segundo o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, foi discutida em privado com congressistas republicanos pouco antes do discurso do presidente no encontro do partido, na tarde desta quinta-feira (25), na Filadélfia.
Spicer afirmou que os 20% significariam US$ 10 bilhões anuais e que isso poderia facilmente pagar a construção da barreira, que tem custo estimado de US$ 12 bilhões. Em 2015, as exportações mexicanas aos EUA somaram US$ 296 bilhões.
Para o novo imposto entrar em vigor, porém, Trump precisa de um projeto de lei aprovado pelo Congresso -que tem maioria republicana nas duas Casas.
De acordo com a Casa Branca, o percentual valeria apenas para o México inicialmente, mas o presidente apoia que a sobretaxa seja estendida a todas as importações americanas.
Nesta quinta-feira, o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, cancelou a visita que faria a Washington na próxima semana após Trump afirmar que o encontro não deveria ocorrer se o México não estivesse disposto a pagar pelo muro.
Horas após o anúncio de Peña Nieto, Trump afirmou, em discurso a republicanos na Filadélfia, que o "encontro seria inútil se o México não concorda em tratar os Estados Unidos com respeito".
Trump assinou na quarta-feira (25) um decreto para iniciar a construção do muro para deter imigração ilegal. Para concretizar a promessa, o americano pretende renegociar os termos do acordo de livre comércio com México e Canadá, o Nafta.
Segundo Trump, o Nafta é "um desastre" que custa US$ 60 bilhões por ano em deficit comercial aos EUA, além de causar perdas de milhares de empregos e fechamento de fábricas.
(Com informações de RFI e Folhapress)
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