A Turquia prometeu retaliar de "maneiras mais severas" a Holanda neste domingo (12). A ameaça surge depois que ministros turcos foram impedidos de falar em Roterdã, devido à uma polêmica sobre a campanha política que Ancara promove entre os emigrantes turcos.
O presidente Tayyip Erdogan chamou seu colega holandês, membro da Otan, como um "remanescente nazista", e a disputa acabou se transformando num incidente diplomático, quando a ministra da Família da Turquia foi impedida pela polícia de entrar no consulado turco em Roterdã.
Centenas de manifestantes agitando bandeiras turcas se reuniram do lado de fora, exigindo ver a ministra.
A polícia holandesa usou cães e canhões de água no início do domingo para dispersar a multidão, que jogou garrafas e pedras. Vários manifestantes foram espancados pela polícia com bastões, disse uma testemunha da Reuters. Eles carregavam cargas a cavalo, enquanto os oficiais avançavam a pé com escudos e furgões blindados.
Menos de um dia depois de as autoridades holandesas impedirem o ministro Mevlut Cavusoglu de voar para Roterdã, a ministra turca da Família, Fatma Betul Sayan Kaya, disse no Twitter que estava sendo escoltada de volta à Alemanha.
"O mundo deve assumir uma postura em nome da democracia contra esse ato fascista! Esse comportamento contra uma ministra nunca pode ser aceito", disse ela. O prefeito de Roterdã confirmou que ela estava sendo escoltada pela polícia até a fronteira alemã.
Kaya embarcou mais tarde em um avião particular da cidade alemã de Colônia para retornar a Istambul, disse o jornal de grande circulação Hurriyet no domingo.
O governo holandês, que deve perder para o partido anti-islâmico de Geert Wilders nas eleições da semana que vem, disse que considera indesejáveis as visitas e "a Holanda não pode cooperar na campanha política pública dos ministros turcos na Holanda".
O governo disse ver o potencial para que divisões sejam importadas para a sua própria minoria turca, que tem setores pró e anti-Erdogan. Os políticos holandeses de diferentes posições disseram apoiar a decisão do primeiro-ministro Mark Rutte de proibir as visitas.
Em uma declaração emitida no início do domingo, o primeiro-ministro Binali Yildirim disse que a Turquia informou às autoridades holandesas que iria retaliar das "maneiras mais severas" e "responder em espécie a este comportamento inaceitável".
O Ministério das Relações Exteriores da Turquia disse que não queria que o embaixador holandês em Ancara voltasse da licença "por algum tempo". As autoridades turcas selaram a embaixada holandesa em Ancara e o consulado em Istambul, em aparente retaliação, e centenas se reuniram no local para protestar contra a ação holandesa.
(Com informações de Reuters)
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