As Nações Unidas publicaram um relatório nesta quarta-feira (15) que acusa Israel de impor um “regime de apartheid” contra a população palestina. Esta é a primeira vez que um organismo da ONU faz claramente uma acusação contra a política israelense.
Um porta-voz do Ministério do Exterior de Israel comparou o relatório publicado pela Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental da ONU ao Der Sturmer, que era uma publicação de propaganda nazista fortemente antissemita.
O relatório concluiu que “Israel estabeleceu um regime de apartheid que domina a população palestina como um todo”. A acusação, geralmente feita a Israel pelos críticos do país, é enfaticamente rejeitada pelos israelenses.
Rima Khalaf, subsecretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e secretária-executiva da comissão para a Ásia ocidental, afirmou que o relatório era o “primeiro do tipo” por um organismo da ONU que “claramente e francamente conclui que Israel é um Estado racista que estabeleceu um sistema de apartheid que persegue a população palestina”.
O QUE É A COMISSÃO ECONÔMICA E SOCIAL PARA A ÁSIA OCIDENTAL
A Comissão Econômica e Social para a Ásia Ocidental reúne 18 Estados árabes do oeste asiático e tem como objetivo apoiar o desenvolvimento econômico e social dos países integrantes. O relatório foi preparado a pedido dos países membros, disse Khalaf.
A RESPOSTA DE ISRAEL E ESTADOS UNIDOS
Os Estados Unidos, aliados de Israel, disseram que estavam revoltados com o relatório.
"O secretariado das Nações Unidas está certo em se distanciar desse relatório, mas ele deve ir além e retirar o relatório como um todo”, disse a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, em comunicado.
Emmanuel Nahshon, porta-voz do governo de Israel, afirmou via Twitter que o relatório não havia sido endossado pelo secretário-geral da ONU.
"A tentativa de difamar e falsamente rotular a única democracia verdadeira do Oriente Médio ao criar uma analogia falsa é desprezível e constitui uma grande mentira”, afirmou o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, em comunicado.
METODOLOGIA DO RELATÓRIO
O relatório disse que a “a fragmentação estratégica da população palestina” era o principal método pelo qual Israel impunha o apartheid, com os palestinos divididos em quatro grupos reprimidos por “leis, políticas e práticas distintas”.
O documento identificou os quatro grupos de palestinos como palestinos cidadãos de Israel, palestinos do leste de Jerusalém, palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, e palestinos vivendo como refugiados ou exilados.
A comissão esperava que o relatório viesse a influenciar as deliberações sobre as causas do problema, nas Nações Unidas, entre países membros e na sociedade, disse Khalaf num evento para lançar o relatório em Beirute.
(Com informações de Reuters)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar