Um produto químico letal foi encontrado no frasco que o ex-chefe militar bósnio-croata Slobodan Praljak ingeriu antes de morrer nesta quarta-feira (29), em plena audiência do Tribunal Internacional de Haia – anunciou a Procuradoria holandesa nesta quinta-feira (30).
“A necropsia é nossa principal prioridade e será realizada em um prazo bem curto”, declarou o porta-voz da Procuradoria de Haia, Frans Zonneveld, acrescentando que a investigação permitiu descobrir que, dentro do frasco, havia um produto químico que pode provocar a morte.
“A investigação se orienta para a questão do suicídio assistido e para a violação da regulamentação relativa às substâncias médicas”, afirmou a Procuradoria em um comunicado.
Suicídio ao vivo
Praljak, 72 anos, ingeriu o líquido letal diante dos juízes e advogados do Tribunal Internacional para a extinta Iugoslávia (TPII), um drama inédito transmitido ao vivo pela televisão.
O gesto desesperado do réu “ilustra a profunda injustiça moral” cometida pelo tribunal de Haia, considerou o primeiro-ministro croata, Andrej Plenkovic, manifestando suas “sinceras condolências” à família de Praljak.
Quando o tribunal se preparava para emitir sua última sentença antes do encerramento de suas atividades em dezembro, o réu gritou “Praljak não é um criminoso”.
“Rejeito seu veredicto”, declarou ele ao tribunal, que confirmou sua sentença de 20 anos de prisão. Em seguida, o réu sacou um frasco do bolso, tragando seu conteúdo.
Funcionários do tribunal correram para atender Praljak, e o presidente da corte, Carmel Agius, ordenou a suspensão da audiência. Minutos depois, chegava uma ambulância, e um helicóptero sobrevoava a área. Vários socorristas entraram no tribunal.
Slobodan Praljak não resistiu e morreu em um hospital de Haia.
A sala de audiência onde aconteceu o incidente foi declarada “cena de crime” e “uma investigação foi aberta pela polícia holandesa”, anunciou o juiz-presidente Carmel Agius, antes de retomar o julgamento na parte da tarde, em outra sala do TPII.
(FolhaPress)
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