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SEGURANÇA PÚBLICO

Homicídios têm queda de 27% em 6 meses no Pará

Bem mais do que um problema solucionado apenas por iniciativa da segurança pública, a violência necessita de um conjunto de ações para diminuir seus índices. Além da repressão, solução de casos e de maior participação de policiais nas ruas, é fundamental

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Imagem ilustrativa da notícia Homicídios têm queda de 27% em 6 meses no Pará

Bem mais do que um problema solucionado apenas por iniciativa da segurança pública, a violência necessita de um conjunto de ações para diminuir seus índices. Além da repressão, solução de casos e de maior participação de policiais nas ruas, é fundamental ações de cidadania e integrar a população nesse processo. Somente dessa forma é possível entender a queda nas taxas de violência apresentadas nesses primeiros seis meses no Pará.

De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), de janeiro até o dia 22 de junho deste ano foram registrados 1.394 homicídios, 524 menos do que no mesmo período de 2018, quando foram registrados 1.918, uma queda de 27%. O problema ainda está longe de ter solução, mas os dados já apontam o caminho a ser seguido. “Conseguimos preservar mais de 500 vidas em seis meses. Se continuarmos no mesmo ritmo, vamos conseguir finalizar o ano com mais de mil vidas preservadas. Infelizmente, vão ter morrido muitas pessoas, mas ainda assim, vamos ter preservado mais de mil vidas”, pontua o titular da Segup, Ualame Machado.

As razões para ter conseguido alcançar o índice atual são muitas. Mas uma delas parece ter sido essencial para isso. “Levamos o programa Territórios pela Paz para o bairro da Cabanagem, um dos mais violentos da capital. Durante esse período, a delegacia não foi apenas um ponto policial, mas um ponto de cidadania. A população, que muitas vezes passava longe desse local, foi até lá para tirar documentos, para fazer consultas jurídicas ou em busca de outros serviços”, disse.

Para o secretário, o programa colaborou para uma reaproximação da população com a polícia. “Começamos a ser acolhidos por essas pessoas, houve uma aproximação, houve troca de informação e isso tudo foi muito positivo”, disse ele, ressaltando que o programa agora encontra-se no bairro do Icuí, em Ananindeua, mapeado juntamente com a Cabanagem, Terra Firme, Guamá, Jurunas e Bengui, em Belém e São Francisco e Nova União, em Marituba, como os mais violentos da Região Metropolitana de Belém (RMB).

PARA ENTENDER

Participação popular

- Outro resultado disso, são os números recentes do disque-denúncia. “Tivemos um aumento de participação da população em torno de 25%, através do 181. Posso dizer que no caso específico da chacina do Guamá rebemos muitas ligações que nos ajudaram muito. Para se ter uma ideia, muitos dos nomes que chegamos depois eram nomes que já apareciam no disque-denúncia desde o dia do episódio”, conta Ualame Machado.

Tecnologia e planejamento dão resultado

Por outro lado, os investimentos em tecnologia de perícia e investigação criminal também têm gerado resultados positivos no combate à violência, além da celeridade nas apurações dos delitos com uma resposta rápida à sociedade. Um exemplo disso, ocorreu nas 11 mortes no bairro do Guamá no dia 19 de maio, quando houve a identificação e a prisão de oito pessoas e o indiciamento de outra, no prazo de uma semana. Outro caso foi a morte do advogado João Vieira Bezerra, ocorrida no dia 8 de junho em de Novo Repartimento, sudeste paraense. Em menos de 24 horas a polícia chegou a Douglas Wendell dos Santos, de 19 anos, apontado como autor do crime.

A resolutividade também tem ocorrido nos crimes contra agentes da segurança pública. “Posso dizer que estamos atuando. Mas vamos ter que trabalhar bem mais para elucidar 100% dos casos. Na maioria deles, temos o autor preso, ou morto em confronto com a polícia, ou já está identificado, com o mandado de prisão expedido, faltando apenas a localização, mas elas estão ocorrendo”, garante o secretário de Segurança.

Nesse sentido, Ualame destaca ainda a Operação Extract, que este mês fez a transferência de 30 líderes de facções criminosas para presídios federais, após descobrir um túnel que pretendia facilitar a fuga de cerca de 400 presos.

Para o delegado Marco Antônio Duarte, diretor de Polícia Metropolitana, além das questões apontadas pelo titular da Segup, há alguns outros pontos que merecem ser destacados. “Temos nos esforçado para implementar operações policiais de caráter repressivo, principalmente com o uso da inteligência da polícia, em diversas cidades do Pará, que tem nos dado um resultado satisfatório, além da repressão ao tráfico de drogas, captura de presos, o combate às milícias, às facções, assim como um controle melhor de bares e festas, entre outros”, destacou.

INTERIOR

Se na capital a estratégia tem sido levar cidadania a população, investimento e tecnologia para dar mais celeridade aos casos, entre outros, no interior, o foco tem sido o trabalho mais articulado. “Estamos trabalhando com um efetivo menor, o que será solucionado pelo concurso, já anunciado pelo governador. Mas estamos trabalhando cada vez mais com a otimização de pessoal. Organizamos operações, observamos qual o foco de problema da cidade e começamos a trabalhar com as medidas cautelares e as prisões”, resume o diretor de Polícia do Interior, delegado Humberto de Melo Júnior.

“Além disso, conseguimos reduzir significativamente a questão da violência no campo. Praticamente todos os crimes que ocorreram estão sendo solucionados”, completa.

Gestão municipal precisa fazer sua parte

Mesmo com uma queda considerável no índice de homicídios no estado, a população ainda vive assombrada pela violência. É o que pensa a integrante e fundadora do Movimento pela Vida (Movida), Iranilde Russo, que desde 2005 reúne pessoas que perderam parentes e amigos para a violência no estado.

“De fato, estamos vendo mais policiais nas ruas e isso deve ter um reflexo na diminuição dos índices de roubo, mas quando às mortes, elas ainda estão ocorrendo”, acredita.

Para ela, diminuir os índices passa também por outros fatores não relacionados apenas com a segurança pública. “A paz está dentro de cada um de nós. É uma questão que envolve o Estado, mas também envolve a sociedade como um todo. Todo mundo precisa fazer a sua parte. É preciso haver um trabalho de conscientização e mesmo de amor ao próximo”, afirma ela, que em 2005 perdeu um filho assassinado aos 27 anos.

“Perder um parente, um filho para a violência é uma dor que nunca passa. Aprendemos a conviver com a saudade, porque ela vai estar sempre ali, mas não existe superação”, diz.

Já na avaliação do sociólogo e advogado, especialista em segurança pública, Henrique Sauma, as medidas adotadas para o combate à criminalidade pelo Estado estão no caminho certo, mas ainda é necessária uma participação efetiva de outros atores envolvidos nesse processo. “Não é possível combater a violência se não houve uma participação efetiva da gestão municipal. Não tem como, por exemplo, a polícia chegar a um determinado local para combater um crime e a rua está esburacada não permitindo que a polícia passe, ou então sem iluminação. É preciso haver uma participação do município mais efetiva, porque ele também é protagonista nessa questão de segurança pública”, explica.

Na avaliação do especialista há um plano estadual de combate à criminalidade, voltado não apenas para diminuir a violência, mas as causas dela. “Através do programa Territórios da Paz vemos, por exemplo, que está havendo um investimento em segurança pública, mas sem descuidar das pessoas, porque não se faz política de segurança pública sem uma rede de proteção social”, acredita.

Outro ponto positivo apontado por ele, é o fato do governo ter instalado uma Secretaria Estadual de Cidadania. “Isso demonstra que há uma preocupação clara com esse assunto. As ações de segurança, de educação, de cultura, de esporte e de lazer, passam pelo campo da cidadania. Portanto, existe um papel estratégico dessa secretaria que é norteador desse processo de inclusão social, de redução de desigualdade, de redução de violência para que a população, especialmente dessa região de vulnerabilidade social tenha a sua cidadania reconhecida”, analisa.

POPULAÇÃO

Em contrapartida, segundo ele, a população deve fazer a sua parte. “Ela tem um papel fundamental que é o de denunciar através de instrumentos importantes, como o disque-denúncia, por exemplo, além disso, tem o papel de cobrar dos gestores por políticas públicas que tragam melhorias sociais”, diz.

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