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Mais de seis milhões de estudantes se inscreveram no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), este ano. A prova é o principal acesso deles para as universidades públicas, onde pretendem começar a carreira que escolheram ou que ainda irão escolher. E também

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Mais de seis milhões de estudantes se inscreveram no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), este ano. A prova é o principal acesso deles para as universidades públicas, onde pretendem começar a carreira que escolheram ou que ainda irão escolher. E também muitos têm dúvidas sobre qual a profissão irá seguir. Em Belém, especialistas na área da orientação vocacional começaram a criar uma série de mecanismos e ferramentas que podem ser trabalhadas para ajudar os estudantes a escolher um curso superior.

A ajuda especializada tem sido procurada principalmente por pessoas mais jovens. O detalhe é que se observa também que pessoas que já ingressaram na universidade também passaram a procurar por orientação vocacional especializada para rever e repensar as escolhas tomadas antes da faculdade. A psicóloga Sofia Cardoso, por exemplo, readequou todo o consultório para melhor atender pessoas que estão em dúvidas sobre a carreira que devem escolher. E neste trabalho que desenvolve já identificou 4 perfis de estudantes que mais procuram pelo atendimento.

“Tenho atendido pessoas que estão ‘totalmente perdidas’ em relação a carreira. Geralmente são pessoas mais jovens e que os pais estão com uma ansiedade maior que a dele. Em contrapartida, também atendo quem já escolheu uma profissão, mas quer uma orientação especializada para se respaldar em relação a escolha tomada”, pontua Sofia. “Atendo ainda os estudantes que estão em dúvida entre uma profissão e outra; e aqueles que, inclusive, já estão na faculdade ou que já se formaram e querem outro caminho”, explicou a psicóloga.

APTIDÃO

Para a especialista, apesar de estarmos vivendo um tempo onde as informações circulam de forma mais rápida, graças a tantas tecnologias, ainda há muitos vestibulandos com dúvidas. “Se a globalização facilitou de um lado, prejudicou em outro”, considera. “Hoje temos jovens de 16 anos de idade fazendo vestibular e é um público que ainda está se formando, escolhendo, conhecendo. Cada vez mais os adolescentes estão procurando ajuda especializada, procurando se encontrar na carreira e mercado”, disse.

Ao ser questionada sobre o porquê de tantas dúvidas, Sofia relembra que são muitos cursos promissores nas universidade e faculdades. “um leque tão grande de opções ainda gera dúvidas. Antes se tinha uma ‘tríade’ de cursos mais procurados - que era Direito, Medicina e Engenharia. Para se ter uma dimensão de como está hoje, dentro da área de Engenharia são 32 tipos de cursos, dos quais 9 são ofertados em Belém e isso pode resultar em frustração para os interessados”, comenta Sofia Cardoso.

O trabalho de orientação vocacional que a psicóloga Sofia Cardoso desenvolve não é um teste, como ela mesmo diz, e sim um trabalho de investigação que ajuda a pessoa a se encontrar nos estudos e no perfil profissional em que se enquadra. “É uma espécie de investigação para saber quem eu sou, o que quero, com o que eu me identifico e como me vejo daqui a 10 anos”, descreveu. “No final vou cruzar as informações e verificar com quais as profissões a pessoa se identifica mais e porquê”, esclareceu.

POSSIBILIDADES

Laryssa Viggiano, de 17 anos, está no 3º ano do Ensino Médio e também vai prestar vestibular este ano. Convicta, pretende ingressar no curso de Engenharia Naval. “Sou apaixonada por matemática e me identifico muito com a área. Já pesquisei e sei que é isso que quero”, pontuou. O colega de sala de Laryssa, Marcos Elias Soares, 17, também ressaltou que não tem dúvidas de que a carreira que vai seguir é dentro da Medicina. Tem dúvidas apenas em qual será a especialidade. “Minha família toda é de médicos. Isso vem desde o meu avô. Estou certo que para mim é a melhor carreira”, frisou.

De maneira geral, as escolhas das carreiras levam em consideração dois tipos de desejos. O primeiro, que talvez seja a mais correta, que é aquela na qual a pessoa tem aptidão, se identifica com a área.

A outra é quando escolhe o curso pensando no interesse financeiro. “Não há problema nenhum você escolher o caminho por interesse – desde que você seja justo e honesto – mas há uma consequência que a pessoa tem que arcar com essa escolha”, alertou Sofia. “Uma escolha errada gera frustração e depressão. E vale lembrar que a depressão é a segunda doença mais incapacitante do mundo e vem de uma frustração”, desfechou a psicóloga.

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