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Projeto da UFPA desenvolve energia solar para trabalhar até com máquina de açaí

Basta direcionar o olhar para o céu que já é possível compreender todo o potencial que irradia sobre o Estado do Pará durante a maior parte do ano. Até algum tempo atrás a geração de energia elétrica a partir da radiação solar soava como algo praticamente

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Imagem ilustrativa da notícia Projeto da UFPA desenvolve energia solar para trabalhar até com máquina de açaí camera Valderlei Pacheco (Estudante de engenharia naval e membro da equipe Solamazon), André Araújo (Professor da Faculdade de Engenharia Naval da Ufpa) e Ariel Nascimento (Estudante de engenharia e membro da equipe Solamazon). | Irene Almeida

Basta direcionar o olhar para o céu que já é possível compreender todo o potencial que irradia sobre o Estado do Pará durante a maior parte do ano. Até algum tempo atrás a geração de energia elétrica a partir da radiação solar soava como algo praticamente inalcançável, porém, hoje já se observa a adoção deste tipo de tecnologia sustentável por pessoas físicas e até mesmo em projetos-pilotos que envolvem a população ribeirinha.

Dados da Associação Paraense de Energia Solar (Apasolar) com base nos registros da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontam que o Estado possui 763 telhados solares registrados, atualmente. A condição coloca o Pará, segundo a associação, em 20º no ranking da geração distribuída. “O Brasil, e o nosso Estado, têm um potencial muito grande para a produção de energia. O que se espera é que, daqui há 2,5 anos, o Pará esteja entre os 10 primeiros do Brasil”, prospecta o Presidente da Associação Paraense de Energia Solar, Walber Oliveira. “É um segmento que tem muita aplicação comercial e industrial, mas também na esfera do agronegócio e residencial”.

Com um potencial tão significativo, a utilização desta forma de tecnologia sustentável já ultrapassa os telhados de uma ou outra residência localizada na área urbana da Região Metropolitana de Belém (RMB) e chega até mesmo a comunidades ribeirinhas, ainda que a partir de projetos pilotos.

TRANSFORMAÇÕES

No Grupo de Estudos e Desenvolvimento de Alternativas Energéticas da Universidade Federal do Pará (Gedae/UFPA), um projeto de pesquisa e extensão prevê o desenvolvimento de uma máquina de bater açaí movida a energia solar. A partir de recursos obtidos por meio de um programa da NationalGeographic Society que financia projetos de pesquisadores em início de carreira, o grupo implementou um protótipo de máquina de bater açaí movida a energia solar e o instalou, junto com um freezer, lâmpadas e ponto de recarga de celular também movidos a energia solar, em uma residência ribeirinha localizada no Rio Piramanha, na Ilha das Onças, em Barcarena.

Atualmente, a comunidade depende de um gerador de energia movido a diesel para utilizar energia elétrica, até mesmo para ligar uma única lâmpada. Os recursos disponibilizados pelo edital possibilitaram a instalação de apenas um sistema piloto, na casa de um morador da comunidade, em meados de março deste ano, porém, desde então, já é possível observar uma série de transformações ocasionadas por meio da tecnologia sustentável. “O seu João, que foi o contemplado nesse projeto, já vislumbra bater açaí, armazenar e vender na própria comunidade. Antes ele só comercializava o açaí em caroço”, explica o pesquisador do Gedae e responsável pelo projeto, o professor Wilson Negrão. “Hoje ele já colocou uma placa pequena informando ‘vende-se chopp’ porque agora ele pode armazenar no freezer. Já se tornou uma atividade produtiva”.

Transformações também foram percebidas em relação à própria qualidade de vida da família beneficiada pelo projeto: além de não precisar ir acionar o gerador a diesel sempre que precisavam utilizar a eletricidade, a geração de energia a partir da captação da radiação solar ainda é silenciosa, muito diferente do gerador.

Impacto no meio ambiente é mínimo

Para além dos benefícios à família, a fonte de energia proveniente do sol também exerce menos impacto sobre o meio ambiente. Por isso é tida como uma forma de energia limpa. “A energia solar não emite nenhum tipo de afluente na geração, sendo utilizada para produzir eletricidade. Então ela é considerada uma das energias mais promissoras e mais limpas que existem atualmente”, explica o professor Wilson Negão, da UFPA. “Alguns autores costumam dizer que é uma das formas de conversão mais nobres porque transforma uma energia que está disponível e abundante, na energia mais nobre que existe que é a eletricidade”.

CUSTO

Infelizmente, a desvantagem em relação ao diesel fica por conta do custo. Negrão explica que, hoje em dia, o item mais caro do sistema de geração de energia solar não é a placa, mas sim as baterias necessárias principalmente nos sistemas aplicados em comunidades isoladas. “Nesse projeto, por exemplo, nós buscamos implementar uma bateria que tenha uma durabilidade, de acordo com as informações do fabricante, de 8 a 10 anos, para o regime de trabalho que ela está sendo desenvolvida na comunidade ribeirinha”.

Uma revolução que vai mudar a navegação

Tendo como foco outro elemento bastante familiar às comunidades ribeirinhas, mais um projeto desenvolvido na UFPA utiliza como foco a geração de energia fotovoltaica: a montagem de uma embarcação tripulada movida a energia solar. Responsável pela embarcação, a equipe Solamazon já participou de dois campeonatos, sendo que no Desafio Solar Brasil (DSB) foi a única equipe representante do Pará e da Região Norte na competição.

O catamarã projetado pelos estudantes conseguiu navegar por 2 horas em uma velocidade na faixa de 20 km/hora sem esgotar a carga que tinha na bateria. Independente disso o estudante do curso de Engenharia Naval, Vanderlei Pacheco, explica que o barco é projetado para navegar numa velocidade normal quase que por 24 horas. “Isso é possível atendendo à necessidade de 12 horas de sol e 12 horas de escuro e se forem dimensionadas baterias suficientes pra ele”, explica. “A bateria serve justamente para carregar durante o dia e, à noite, quando não há incidência de energia solar, a embarcação já utilizaria a armazenada nas baterias”, complementa Ariel Nascimento, também estudante de engenharia naval e integrante da equipe.

LIMITADOR

Quando se pensa em replicar um sistema parecido para que as embarcações, no geral, possam deixar de utilizar combustível para se locomover a partir da transformação da incidência solar em energia elétrica, o professor da Faculdade de Engenharia Naval e orientador do projeto, André Araújo, explica que o limitador está na área disponível na embarcação para que se instale as placas solares. “A gente consegue, sim, mas com velocidades baixas ainda, por causa da potência. Precisaria de uma área muito maior para desenvolver uma velocidade maior”, esclarece. “Mas nada impede que hajam placas para gerar energia para os equipamentos normalmente utilizados nos barcos, como micro-ondas, refrigerador, lâmpadas”.

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