
Abandonado há pelo menos cinco anos, o complexo de feiras do bairro do Jurunas, em Belém, continua retratando o descaso do poder público municipal. A população que mora ao redor, na rua Fernando Guilhon com avenida Bernardo Sayão, ou quem precisa passar por ali, reclama que a situação está insustentável. O espaço que deveria congregar vários setores de alimentação deu lugar à sujeira, gerando mau cheiro e oferecendo riscos de transmissão de doenças. Além disso, a falta de manutenção de anos também tem contribuído para a migração demoradores de rua e usuários de drogas que utilizam o lugar dia e noite.
“Essa é a principal feira do nosso bairro e está desse jeito. O prédio está cheio de infiltrações. Tempo atrás pegou fogo e não foi recuperado. Mesmo assim, os feirantes ainda trabalham aí dentro durante a manhã. Mas, é só eles saírem que os viciados ocupam. É um problema antigo que ninguém faz nada”, reclama Edimar Dias, 40, comerciante e morador do bairro.
Segundo ele, o lixão na entrada do complexo é uma das principais preocupações. “Vem gente de longe e até mesmo os feirantes. E isso incomoda bastante, atrai doenças e, para piorar, quando chove, alaga tudo, o lixo chega a entrar na minha casa. Precisei construir um batedor na porta para tentar evitar que a água suja entre”, conta Edimar Dias.
ACESSIBILIDADE
Para o cadeirante Edivan Brito, 46, os problemas ainda são maiores. Ele afirma que já ficou doente várias vezes e parou de trabalhar na feira. “Tenho sido muito prejudicado com o abandono dessa feira. Tive infecção no pé duas vezes porque tive contato com a água contaminada. Com o tempo também ficou difícil vender meus bombons lá dentro, molhava todas as barracas por causadas infiltrações”, relata.
As condições das calçadas e da própria rua de acesso ao complexo são obstáculos para Edivan e outras pessoas que possuem limitações de locomoção. Isso porque a rua Fernando Guilhon e avenida Bernardo Sayão têm o fluxo de veículos intenso, mas não há sinalização alguma para ajudar esse público.
SINALIZAÇÃO
Os filhos da autônoma Cleide Lima, 33, são proibidos de brincar na rua devido ao perigo e a falta de estrutura para os pedestres. “As vans, ônibus, caminhões pesados e os próprios carros não respeitam ninguém. E com essa situação da feira, ninguém nem consegue ficar na porta de casa mais. É um mau cheiro insuportável”, dispara.
Enquanto realizava as entrevistas, a equipe do DIÁRIO percebeu movimentação de obras sendo feitas dentro do complexo. Tratava-se da construção de boxs de alvenaria. Alguns trabalhadores comentaram que os próprios feirantes se reuniram para a mudança; outros disseram que o trabalho é de responsabilidade da Prefeitura de Belém.
O QUE DIZ A PREFEITURA
-A Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb) informa que o complexo do Jurunas irá passar por uma reforma.
- O processo licitatório já está concluído, os feirantes do local estão sendo realocados em uma estrutura adaptada e após essa fase as obras terão início.
- Uma equipe da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob) visitará o local para verificar se vai implementar ou revitalizar a sinalização de trânsito.
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