Neste período de férias escolares, a ansiedade de pais e filhos para curtir as praias só aumenta. Mas, com balneários lotados, principalmente nos fins de semana, aumenta também o número de ocorrências envolvendo crianças. Por isso, é preciso atenção redobrada na hora de vigiar os pequenos e curtir o lazer com segurança.
Só no primeiro domingo de julho, por exemplo, foram registrados 39 casos envolvendo crianças perdidas nas praias do Pará. Segundo o Comandante do Grupamento Fluvial do Corpo de Bombeiros Militar, Capitão Leandro Tavares, os responsáveis precisam ficar de olho nas crianças, pois um descuido pode ser o suficiente para que elas se percam. “Quanto maior o público, maior é o caso de crianças perdidas. Sempre recomendamos a supervisão direta, de forma ativa dos pais. Mesmo em lugares da praia considerados de pouco movimento. Quando temos esses casos, sempre levamos as crianças para nossas bases e acabamos sendo uma espécie de guarda provisória até que os pais entrem em contato conosco”, afirma o Comandante.
Nos casos em que a criança está perdida, a tecnologia pode ser um importante aliado. O aplicativo “Praia Segura”, do Corpo de Bombeiros, ajuda a localizar uma criança que esteja no posto de salva-vidas, além de oferecer outros serviços para quem está nas praias, como tábua de marés, dicas de segurança e o clima no local. O aplicativo está disponível para Android e IOS.
O técnico de segurança do trabalho, Edson Alves, adotou uma estratégia. Ele, que frequenta a Praia Grande, no Outeiro, com o filho e sobrinha, usa um apito para, qualquer risco ou situação que precise chamar a atenção das crianças. “Com esse apito, qualquer coisa eles já olham pra mim e já vou junto com eles para dar alguma orientação ou alerta. Quando eles fazem alguma coisa que acho perigoso, eu só faço usar o apito”, diz.
Aline Alfaia também não vacila quando o assunto é a segurança das crianças. Ela mora no Outeiro e sempre procura ir à praia em dia de semana, quando está com pouco movimento, e disse que já presenciou casos de crianças perdidas. “Ano passado eu vi uma mãe desesperada porque tinha perdido o filho, a sorte é que tinha sido localizado pelos Bombeiros. No meu caso, eu deixo eles sempre se divertirem, mas quando se vem com criança é bom evitar beber e fazer outras coisas para ficar com foco apenas nos pequenos”, detalha sem tirar os olhos do filho, Rodrigo Alfaia, e da sobrinha Marcelli Oliveira, ambos com nove anos.
Outro registro frequente nas praias são os de afogamentos. Eles são classificados conforme o grau de gravidade, com a contagem sendo de 1 a 6. Sendo o afogamento de grau 6 o mais grave. Só no domingo passado, foram registrados cinco casos de afogamento, sendo um com vítima fatal. “É importante destacar que o corpo da criança é diferente dos adultos, com a cabeça e o tronco sendo mais pesado, o que pode aumentar a chance de afogamentos”, explica o capitão Tavares. “Quando a família chega na praia, a primeira coisa que deve fazer é procurar o posto do Corpo de Bombeiros para pegar informações sobre as condições de banho na praia e as pulseirinhas de identificação para as crianças”, reitera.
Ele também dá algumas dicas simples que podem ser fundamentais para evitar as ocorrências de afogamento que servem tanto para crianças quanto também para os adultos. “Recomendamos sempre que as pessoas fiquem em áreas onde consigam manter os pés firmes. Evitar entrar na água após consumir alimentos pesados e, caso presencie um afogamento, não mergulhar sem saber exatamente o que está fazendo”, finaliza o Comandante do Grupamento Fluvial.
O segurança Heraldo Pinheiro é uma das pessoas que leva a sério a questão dos afogamentos. Antes de deixar as duas netas brincarem na água, ele separa boias para que elas brinquem com tranquilidade. “Todo cuidado é pouco em matéria de segurança. Eu não bebo, coloco minha cadeira na areia e fico aqui de olho nelas”, relata.
O ajudante de eletricista, Paulo Diego, declara que já viu casos de crianças perdidas ou em ocorrências de afogamento. Por isso ele sabe bem o que fazer para proteger o Danilo Gael, de apenas três anos. “Eu sempre procuro ficar por perto. Tomo um banho perto dele e não vacilo porque um descuido e é rápido que ele some da vista. A gente precisa sempre redobrar a atenção nas férias porque é um período de descanso e ele merece”, pontua.
CUIDADOS QUE DEVEMOS TER
COM AS CRIANÇAS NAS PRAIAS
l Manter os olhos sempre atentos às crianças. Nunca deixe-as desacompanhadas.
l Sempre procure o posto de atendimento do Corpo de Bombeiros para saber mais informações sobre a praia.
l Pegar a pulseirinha de identificação para as crianças no posto de atendimento dos Bombeiros, colocando o seu nome, nome do responsável e um telefone para contato.
l Evitar que elas nadem em áreas com maior profundidade.
l Evitar deixá-las entrar na água após comer, principalmente alimentos considerados pesados e evitar alimentos de procedência duvidosa.
l Utilizar filtro solar, reaplicando o produto de forma periódica.
l Manter as crianças sempre hidratadas.
l Ao menor sinal de perigo, sempre procurar o posto de atendimento dos Bombeiros mais próximo.
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