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INFORMALIDADE

Trabalhar como ambulante pode ser a única alternativa

O número de pessoas que trabalham na informalidade no País, chegou a 35,42 milhões, no ano passado, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísti

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O número de pessoas que trabalham na informalidade no País, chegou a 35,42 milhões, no ano passado, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no primeiro trimestre de 2019. Esse número engloba os trabalhadores no setor privado (11,19 milhões) e empregados domésticos sem carteira de trabalho assinada (4,42 milhões), além de empregadores (905 mil) e trabalhadores por conta própria sem Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) (18,8 milhões).

Esse problema se reflete no Centro Comercial de Belém. A ocupação desordenada das ruas e a poluição visual são causados pela única alternativa que restou para muita gente poder sobreviver dignamente. Esse é o caso da vendedora ambulante Juliane Farais, de 20 anos, que há dois meses comercializa confecções no Centro Comercial de Belém. Vinda do município de Monte Alegre, na zona do Baixo-Amazonas, ela conta que deixou o antigo emprego, em um restaurante, onde não era registrada, para tentar uma oportunidade melhor em Belém.

“Trabalho para a minha cunhada e hoje ganho melhor do que antes. Consigo me manter aqui em Belém, juntamente com o meu marido que trabalha em uma loja”, diz ela, que estuda no primeiro ano do ensino médio e sonha em se formar em Direito.

Para a ambulante Luana Saraiva, o trabalho na rua foi uma opção para conseguir uma renda melhor. “Antes eu era recepcionista de academia, mas me sentia presa por conta do horário, além de ganhar pouco. Buscava uma oportunidade, por isso decidi largar tudo no início do ano e começar a trabalhar na barraca da família do meu namorado que vende lingeries, porque ganho mais, sem ficar presa a horários”, conta ela, que está tentando concluir o ensino médio este ano.

Calçadas e ruas estão ocupadas por bancas de dvds piratas, roupas e acessórios eletrônicos. Algumas barracas possuem lonas para proteger os vendedores do sol e da chuva. Ao redor, lixo e mais gente vendendo de tudo, até refeições.

Para Leonardo Rodrigues, de 28 anos, trabalhar nas ruas é uma realidade que já dura nove anos. “Comecei vendendo DVD e atualmente estou trabalhando com confecções. Posso dizer que gosto do que faço. Não tenho do que me queixar, daqui tiro o sustendo da minha família, minha mulher e meus dois filhos e consigo viver bem”, conta.

Leonardo ainda não conseguiu concluir o ensino médio, mas pensa em voltar a estudar. “Isso é um pouco mais difícil porque passo o dia todo aqui. Mas pretendo fazer isso ano que vem, quem sabe”, diz.

Para ele, o trabalho informal é tão digno quando outro qualquer, mas os vendedores poderiam ter uma condição melhor de trabalho. “Aqui, por exemplo, não temos banheiro, temos que pagar para usar na Feira do Ver-o-Peso”, ressalta.

O ambulante William Viana, de 20 anos, não conhece outro trabalho que não seja o informal. “Estou a quatro anos aqui e gosto muito do que faço porque daqui tiro o dinheiro para o meu sustento”, diz ela que divide o trabalho em uma barraca na Av. João Alfredo com a mãe.

A estudante do terceiro ano do curso Educação Física da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Bianca Silva, de 21 anos, também se dedica ao trabalho de ambulante em uma barraca que vende peças para celular, no Centro Comercial de Belém. “Costumo ficar a aqui pela parte da manhã e à tarde vou para o curso, mas como estou de férias, estou ficando até às 16h”, conta.

Filha de Sandro Silva, o dono da barraca em que Bianca trabalha, ela conta que gosta do que faz e que só assim está tendo oportunidade para investir nos estudos. “Todo o dinheiro que ganho no momento estou guardando para participar de um congresso do meu curso em setembro”, diz ela, que pretende se preparar para tentar o vestibular para medicina no ano que vem.

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