A partir das 16h de hoje (25), centenas de mulheres do Pará protagonizam a 4ª Marcha das Mulheres Negras, que será realizada pelas ruas do bairro do Guamá, em Belém. Com o tema: “Mães negras amazônidas em luta contra o genocídio do povo negro”, a expectativa da organização do evento é reunir aqueles que são contra o racismo, machismo e LGBTfobia.
O evento é alusivo ao Dia Nacional da Mulher Negra e Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. De acordo com uma das organizadoras da marcha, a jornalista Flávia Ribeiro, o objetivo é chamar a atenção da sociedade para as lutas sociais das negras. “Queremos dar visibilidade para a nossa pauta que nem sempre é de sofrimento, mas de resistência. Estamos falando de dores, amor e alegrias. Temos a dor pela opressão de gênero e de raça, além de LGBTfobias”.
Maria de Fátima Vieira, ativista no Estado do Maranhão, veio para participar do evento e também esteve ontem na roda de conversa sobre o assunto na Ordem dos Advogados do Brasil, seção Pará (OAB/PA). Ela trabalha no Centro de Cultura Negra, uma organização voltada para política de direito da população negra e também está a frente de um projeto com a comunidade quilombola, oferecendo orientação jurídica a respeito dos direitos que aquela população possui.
Para ela, a região Norte e Nordeste são parceiras nas lutas e nas dificuldades. “É bem complicado o cenário, a questão da luta das mulheres enquanto mães, que sofrem toda a violência que o povo negro sofre normalmente e, ainda o dobro por serem chefes de família, têm problemas com os filhos e tudo se acarreta para cima dessa mulher que segura essa carga que é muito pesada”, detalha.
“E essa Marcha é uma das formas que temos de dar visibilidade para a nossa luta e dar força para as mulheres dessas regiões, que são tão sofridas por tanta discriminação”, acrescenta.
DEMANDAS
Diversas demandas a respeito do movimento de mulheres negras têm chegado à OAB/PA. Andreza Smith, vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, afirma que a entidade tem o compromisso com diversos grupos vulneráveis a diferentes tipos de desrespeitos a direitos e agressões e busca apoiá-los nas discussões, inclusive para que os debates sirvam como base para a produção de manifestações públicas, quando necessário.
“Temos tentado transformar esses momentos em propostas de ações, pois a Comissão de Direitos Humanos é parceira de um projeto da Defensoria Pública do Estado, que também desenvolve outras ações em bairros de Belém para dialogar com a comunidade sobre os direitos humanos. Isso além de levar serviços como atendimento jurídico. A gente percebe que as pessoas precisam de informação”, diz.
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