
Como parte das medidas de aprimoramento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS), anunciadas pelo Governo Federal, para valer a partir de setembro deste ano, o trabalhador brasileiro poderá efetuar um saque imediato de até R$500 por conta, ativa ou inativa, do fundo. Considerando a quantidade de pessoas com carteira assinada no Pará, a previsão apontada pela Federação do Comércio do Estado do Pará (Fecomércio) é de que cerca de R$400 a R$500 milhões possam ser injetados na economia do Estado.
Assessora econômica da Fecomércio-PA, Lúcia Cristina Lisboa explica que tal projeção considera a possibilidade de que todos os trabalhadores com carteira assinada no Pará venham a efetuar o saque desse recurso. “A Fecomércio entende que a medida é positiva a curto e médio prazo, considerando que é um recurso que vai ser injetado na economia do Estado e que vai contribuir para melhorar as vendas mais à frente”, avalia. Apesar disso, Lúcia destaca que não há garantia de que todo esse recurso seja revertido para o consumo ou para o comércio varejista, dado, entre outros motivos, o nível de endividamento das famílias.
Uma pesquisa da Fecomércio e da Confederação Nacional do Comércio (CNC), aponta que cerca de 55% das famílias estão endividadas neste mês de julho de 2019 no Pará - considerando que o endividamento se refere a situação de todas as pessoas que compraram a prazo e, portanto, têm alguma dívida para pagar mais à frente, parceladamente. Desses endividados, 19,5% estão com contas atrasadas. “Espera-se que uma parte desse recurso vá para colocar as dívidas em dia, ou até para adiantar algumas parcelas mesmo que não estejam em atraso”, aponta a assessora econômica. “Mas, mesmo que o recurso seja utilizado para pagar as dívidas, é um benefício indireto para o comércio porque o consumidor, recuperando o crédito ou diminuindo o número de parcelas que tinha a pagar, cria mais espaço no seu orçamento para fazer novas compras”.
Com o recurso na mão, a melhor saída é o planejamento
Considerando as várias possibilidades de destinação deste dinheiro extra, a pergunta que fica é: como aproveitar da melhor forma possível esse benefício? Especialistas em educação financeira apontam que a melhor saída é se planejar. Antes de gastar os R$500 previstos para serem liberados a partir de setembro, o economista Édson Roffé Borges aponta que é preciso analisar a situação financeira atual em que o trabalhador se encontra.
Para muita gente, a alternativa mais benéfica pode ser, realmente, o pagamento de dívidas. “Dentre as dívidas, as prioritárias são as que têm as taxas de juros mais altas. Fora essas, o trabalhador pode escolher quitar alguma dívida que possa causar algum tipo de embaraço”, considera o economista. “Se o atraso for na mensalidade da escola do filho ou da taxa do condomínio, como fica a situação?”.
Já para quem está com o orçamento mais folgado, uma boa estratégia pode ser investir em serviços que possam prevenir gastos maiores no futuro, ou mesmo na aquisição de um produto de interesse. “Uma destinação para esse recurso pode ser o consumo em geral também. O que não é muito viável é pensar de imediato nessa possibilidade sem considerar as situações anteriores”, aponta Édson Roffé Borges. “Essa opção só é válida se não for comprometer o orçamento”.

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