Essa é a proposta dos restaurantes populares, um segmento que cresce na capital paraense, graças a qualidade das refeições e, principalmente, os preços atrativos. Clientes saem satisfeitos e com o bolso salvo. Com preços convidativos e variedade, restaurantes populares atraem clientes cativos.
Não é raro ver na capital uma grande opção de restaurantes com preços populares. E eles têm ganhado cada vez mais clientes. Com a crise econômica e a busca por economizar cada vez mais, os negócios neste segmento se multiplicaram, com mais opções de cardápios e preços baixos.
Muitos restaurantes também são verdadeiros negócios de família. Na travessa Lomas Valentinas, o “Sabor da Casa” é um dos que conta apenas com familiares no quadro de funcionários. Tiago Brito de Melo explica que esse ambiente familiar aplica-se também aos clientes que chegam ao lugar em busca de pratos que custam apenas R$ 10 reais. “Todo mundo se ajuda. Criamos um vínculo com os clientes e, como tem muitas empresas próximas, ficamos com uma clientela fixa”, detalha.
Comer a vontade a preços populares, é uma das receitas de sucesso que os comerciantes usam para aumentar o número de clientes. Com isso, quem se beneficia diretamente é o consumidor, como é o caso da Yasmin Martins que, sempre quando possível, vai até o restaurante “O Redentor”, localizado na avenida Marquês de Herval, para almoçar com o namorado. “Sempre que temos uma folga, comemos aqui. O preço é ótimo, a comida é excelente e é sempre uma forma de economizar. Sem falar que a gente se serve a vontade e ainda pode repetir”, afirma.

Apesar do preço baixo, com pratos vendidos também a R$ 10 reais, o atendente Gabriel Lobo detalha que não é apenas o preço responsável por manter o cliente no restaurante. Um bom atendimento é fundamental. “Aqui não tem tantos lugares com esse preço, acaba que essa também é uma estratégia para atrair mais clientes, sem deixar de oferecer um bom atendimento, porque um faz a diferença e chama outras pessoas. O atendimento é superimportante”, declara o atendente do restaurante “O Redentor”.
CRESCIMENTO
De acordo com pesquisa da Associação Brasileira das Empresas de Benefício ao Trabalhador (ABBT), o preço médio comercial do prato feito em restaurantes é de R$ 24,45. Por isso, o aumento de pessoas em restaurantes baratos não chega ser uma surpresa. Segundo o autônomo Carlos Rocha, esses locais reúnem diversos tipos de perfis. Com o bom atendimento sendo primordial para voltar ao lugar. “Assim como vem gente que é mais simples, os engravatados também almoçam aqui. Nos atendem bem e são respeitosos. Eu falo para os meus colegas sobre o preço e eles demoram a acreditar. Eu sempre recomendo almoçar aqui e garantir assim uma economia maior”, disse.
O assessor jurídico do Sindicato de Hotéis, Restaurantes e Bares do Pará, Fernando Soares, esclarece que ainda não existe uma pesquisa no Estado que apresente a quantidade de restaurantes com preços populares, porém ele aponta alguns fatores que podem explicar o aumento considerável. “Com a crise econômica, as pessoas acabam buscando uma alternativa para sobreviver em um mercado informal. Muitas não têm paciência para cozinhar e o PF (prato feito) acaba sendo uma refeição completa com o preço mais em conta. Eu mesmo costumo comprar um PF e por aqui também temos notado um crescimento desse segmento. São alternativas para a crise e um incremento para fortalecer a renda e estimular o empreendedorismo, oferecendo um diferencial para se destacar entre os demais”, detalha.
Mantendo o espaço aberto na avenida João Paulo II há dez anos, Rosinete Santos, comanda ao lado do marido Welton, o restaurante D’ROSSI Grill. Para ela, é visível o aumento dos clientes e, com o grande número de restaurantes ao longo da avenida, a estratégia é investir em alternativas que mantenham os clientes satisfeitos. “Buscamos oferecer um Buffet diferenciado, colocamos até frutas como sobremesa, com preços a partir de R$ 13 reais, pagando em espécie. E tudo isso acaba sendo um atrativo para novos clientes, já que estamos perto de grandes empresas.”, exemplifica
“Estamos no meio de uma concorrência, por isso oferecemos uma grande variedade de comidas como atrativo e manter nossa clientela, sem deixar de arregaçar as mangas”, conclui. Welton atende as mesas e ela fica na cozinha. “Como somos os donos, estamos preparados para trabalhar por duas pessoas. Fazendo isso, podemos diminuir o preço para o consumidor”, detalha.
Com a crise econômica, as pessoas acabam buscando uma alternativa para sobreviver em um mercado informal. Muitas não têm paciência para cozinhar e o PF (prato feito) acaba sendo uma refeição completa com o preço mais em conta”
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