Governadores dos estados que compõem a Amazônia Legal externaram preocupação com o avanço do desmatamento na região e defenderam os dados de acompanhamento por satélite desenvolvido pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), responsável pelo Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), entre outros sistemas destinados ao mapeamento por satélites dos biomas brasileiros desde 1988.
Sete dos nove governadores, além de representantes dos outros dois estados participaram ontem da 18ª edição do Fórum de Governadores da Amazônia Legal em Palmas, no Tocantins. A manifestação dos governadores ocorreu horas antes de o governo federal decidir exonerar o diretor do Inpe, Ricardo Galvão, após sequência de ataques aos dados produzidos pelo Instituto e ao próprio Galvão.
O governador do Pará, Helder Barbalho, defendeu a necessidade de o Estado brasileiro agir com firmeza para combater àqueles que agem à margem da lei ambiental. “É fato que tem havido um avanço crescente do desmatamento na Amazônia nos últimos meses, inclusive acima da média dos últimos anos. E embora esse processo não seja algo que tenha se iniciado nesse governo, nós precisamos, e todos os governadores estão de acordo com isso, reforçar a mensagem de que o Estado brasileiro dará apoio e proteção a quem age dentro da lei, ao passo que combaterá com força e pulso firme as iniciativas que não estejam adequadas à lei”, reforçou o governador paraense.
“É importante registrar que mais de 80% das áreas desmatadas estão sob a jurisdição da União e isso reforça ainda mais a necessidade de parceria dos órgãos federais com os órgãos estaduais para que possamos evitar o desmatamento ilegal na Amazônia”, pontuou Helder Barbalho.
EMBASAMENTO
O governador do Maranhão, Flávio Dino, reforçou a necessidade de que o governo federal tenha um melhor embasamento para questionar os dados que foram divulgados. “Não podemos pegar um dado científico e questionar apenas ideologicamente”, frisou. O encontro realizado em Palmas resultou em um documento denominado Carta de Palmas, que elencou como principal ponto de preocupação entre os participantes a possibilidade de encerramento do Fundo Amazônia, projeto que tem como principais doadores a Noruega e Alemanha e que tem como objetivo ações de preservação, monitoramento e combate ao desmatamento na região amazônica.
“Os governadores manifestam firmemente a preocupação com o avanço do desmatamento ilegal na Amazônia Legal e ratificam o compromisso institucional de buscar mecanismos reais que garanta, o desenvolvimento sustentável da região”, diz um trecho da Carta. Assinaram a Carta de Palmas os governadores do Tocantins, Mauro Carlesse; do Pará, Helder Barbalho; do Mato Grosso, Mauro Mendes; do Amapá, Waldez Goés; do Amazonas, Wilson Miranda; de Roraima, Antônio Olivério e do Maranhão, Flávio Dino.
A Amazônia Legal é formada por todos os estados da região Norte mais o Maranhão e o Mato Grosso.
O vice-governador do Acre, major Rocha e o secretário de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia, Elias Rezende de Oliveira representaram seus estados.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar