Tradicionalmente, o DIÁRIO realiza pesquisas em alguns supermercados da capital para comparar os preços de produtos essenciais que fazem parte, e vão além da cesta básica do paraense. Na última semana, a reportagem foi até quatros redes de varejo alimentícios de Belém consultar o valor de vários produtos (lista abaixo) e se deparou com uma variação de preços que pode pesar no bolso do consumidor no final do mês.
Paralelo a isso, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) desenvolve estudos e faz balanço trimestral a respeito das mudanças na economia, inclusive no que diz respeito à cesta básica.
De acordo com a pesquisa nacional mais recente, realizada em junho, sobre a variação em 17 capitais do país, Belém ocupava a 12ª posição entre as cidades com custo mais elevado da cesta básica.
Para o supervisor técnico do Dieese/PA, o economista Roberto Sena, no mês passado houve uma estabilidade em boa parte dos preços. Porém, a alimentação do paraense está em alta e continua sendo uma das mais caras do país.
“Isso tem sido uma rotina porque a gente importa de outros estados mais da metade dos produtos que chegam à mesa. A carne, por exemplo, foi a mais cara dos produtos durante os primeiros seis meses”, diz.
“A maioria dos itens da cesta básica estava em alta e em julho mudou pouco, houve equilíbrio”, acrescenta.
Segundo o economista, a cesta básica do paraense possui 12 itens: carne, leite, feijão, arroz, farinha, tomate, pão, café, açúcar, óleo, manteiga e banana. Em junho deste ano, esse conjunto de produtos custava R$ 407,67. Vale ressaltar que a soma é resultado da multiplicação pelo consumo do trabalhador por mês, ou seja, não significa que seja um quilo, um litro ou uma dúzia de cada produto, mas, sim, de acordo com a média da quantidade individual que o trabalhador consome por mês. Isso está previsto no decreto 399/1938 constituído pelo Governo Federal da época, que norteia o consumo básico do trabalhador no país em relação ao salário mínimo.
“A criação do salário foi com base nos itens da cesta básica, mas o Dieese avalia que esse cálculo foi defasado ao longo do tempo, pois o atual salário mínimo não consegue cobrir os custos de uma família. Na verdade, o salário ideal deveria ser R$ 4 mil, mas, o salário atual não consegue comprar a alimentação básica e ainda leva 40% da renda”, avalia Roberto Sena, supervisor técnico do Dieese/PA.

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