A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup) já realizou 7 operações nos 9 primeiros meses deste ano que resultaram na prisão de 49 agentes de segurança púbica (26 policiais militares da ativa, 3 policiais civis e 20 guardas municipais) e 10 civis, abalando a estrutura do crime organizado no Estado, principalmente no que se refere às milícias e grupos de extermínio.
Esse combate está baseado no tripé proatividade, planejamento ostensivo, aliado a uma investigação qualificada e eficiente, rápida no esclarecimento dos fatos. Dentro dessa linha o sistema está cortando na própria carne. A última operação foi a “Anonymous II”, deflagrada na madrugada da última quinta-feira na Região Metropolitana de Belém (RMB) para combater homicídios com características de execução, que seriam cometidos por milicianos e grupos de extermínio. Foram expedidos pela Justiça 21 mandados judiciais, dos quais nove de prisão e 12 de busca e apreensão domiciliar. No total 7 PMs estão presos e dois foragidos.
“É como se fosse uma cirurgia: você tem que ir a fundo no organismo para retirar o corpo estranho que está lhe prejudicando. É assim que estamos agindo desde o início do ano. Não gostamos de prender colegas de trabalho. Mas isso vai ocorrer se necessário. Não podemos deixar que uns poucos manchem a imagem de uma instituição toda”, destaca Ualame Machado, secretário de Estado de Segurança Pública.
Machado explica que a ação da Polícia Civil é mais qualificada, atuando de maneira rápida e eficiente nos casos, tirando a sensação de impunidade. Já a Polícia Militar traz para a população a percepção da segurança, atuando mais diretamente nas ruas, fazendo rondas com abordagens e prisões. “Estamos trabalhando para melhorar a atuação dessas duas corporações e o resultado é um número cada vez maior de crimes solucionados, em espaços de tempo cada vez menores, dando uma resposta rápida para a população e acabando com a sensação e impunidade”, detalha.
O grande desafio está sendo aprimorar cada vez mais as técnicas de investigação nas ações que envolvem agentes de segurança. “O problema é que um policial corrupto e que se bandeou para o crime conhece muito bem essas técnicas. Temos que inovar cada vez mais e trazer para cá novas modalidades e técnicas mais avançadas de investigação para suplantar isso e estamos fazendo isso”.
Promotor
O promotor militar Armando Brasil diz que a promotoria já instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) em agosto e tem colaborado com a Polícia Civil no combate a ação das milícias no Pará. “A maioria dos crimes é de competência da Justiça Militar. Agora vamos continuar o desdobramento dessa investigação que redundará em mais prisões de militares envolvidos com grupos de extermínio e milícias’, diz Brasil.
Ele ressalta que o tenente Coronel Marcelo Prata, preso na operação de quinta-feira, é o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, em Castanhal. Foram desviadas mais de 1.000 munições calibre ponto 40 MM para treinamento inclusive usadas na chacina do Guamá. “O oficial desviou grande quantidade de armas pesadas como fuzis, pistolas e metralhadoras e munições para abastecer grupos de extermínio e milícia que agem no Estado. Tanto que o número de armas e munições da reserva de armamento do 5 BPM diminuiu consideravelmente”, destaca.
Para o promotor os milicianos e grupos de extermínio sofreram um duro golpe com a ação da última quinta-feira. Segundo ele essas facções agem tanto no meio urbano quanto no rural e aumentaram sua presença no Pará graças a pobreza e à omissão do governo passado no combate a esse tipo de crime. “O governador Helder Barbalho e sua equipe que compõe o sistema de segurança estão de fato cumprindo o programa de governo, agindo em parceria e investindo pesado em segurança pública e no combate à violência na região metropolitana”.
Atuação de grupos criminosos foi alvo de CPI na Alepa
Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado (Alepa), o deputado estadual Carlos Bordalo (PT) presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou e elaborou um detalhado relatório entregue ao sistema de segurança pública e entidade da sociedade civil organizada.
A comissão foi instalada após a Chacina de Belém ocorrida em novembro de 2014, quando 10 assassinatos foram registrados após a morte do cabo da Polícia Militar Antônio Marcos da Silva Figueiredo, o “cabo Pety”, como era conhecido o militar, que estava afastado da corporação quando foi morto a tiros no bairro do Guamá, em Belém.
Investigação
“Depois de uma investigação profunda, ouvimos mais de 70 agentes públicos, moradores, lideranças comunitárias, advogados e juízes e concluímos que no Pará existem inúmeros grupos de extermínio e milícias, que é mais estruturada”. O petista avalia que desde o início da sua gestão Helder vem mostrando política e administrativamente que quer acabar com a ação desses grupos de crime organizado no Pará, sejam vindos das grandes facções criminosas, sejam vindos de grupos que se desgarram das próprias forças policiais.
“O justiçamento puro e simples não é admitido em qualquer hipótese e a ação do governador Helder é nesse sentido, combatendo e desbaratando vários desses grupos principalmente na região metropolitana, o que sinaliza uma diferença de postura e atitude em relação ao governo passado, que foi alertado ainda em 2015 e nada fez”.
Políticas públicas e projetos de inclusão social
Para o geógrafo e pesquisador na área de segurança pública, Aiala Colares Couto, a ação de grupos de milicianos e grupos de extermínio no Estado do Pará é resultado de uma ineficiente política de segurança pública que sempre marcou as administrações passadas. “Não vejo esses grupos como um poder paralelo, mas sim como um poder institucionalizado, pois conta em seus quadros com a presença de políticos e inclusive de integrantes das forças de segurança pública. Por essa razão ganham cada vez mais força”.
Colares avalia que o atual governo prioriza e reforça a presença do Estado por toda a região metropolitana com a meta de cada vez mais combater esses grupos. “Percebemos ainda um empenho pessoal do atual governador para acabar com a ação dessas milícias. Mas, por outro lado, o Estado deve se empenhar ao máximo para que os agentes de segurança pública não se corrompam dentro dessa estrutura para não prejudicar todo o trabalho que está sendo feito”, destaca.
Áreas
Ele lembra que a violência não se combate apenas com a presença das polícias militar e civil, com a coerção, “mas principalmente através da transformação das áreas transformadas pela violência em áreas de esperança e cidadania, com políticas públicas e projetos de inclusão social, e incentivo ao esporte e lazer e geração de emprego e renda, contemplando as expectativas da população, sobretudo a de mais baixa renda”.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar