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COMUNICAÇÃO

Modernidade e interatividade reinventam o rádio

As primeiras ondas radiofônicas foram transmitidas no país no início da década de 1920 e por elas passaram de música à informação e até radionovelas. Hoje, Dia do Rádio, seja em aplicativos, plataformas ou podcasts, quem dedica sua vida ao rádio diz que e

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Imagem ilustrativa da notícia Modernidade e interatividade reinventam o rádio camera Do time de rádio do Grupo RBA, Magela, Aldrin Gonçalves e Guilherme Guerreiro nos estúdios da 99 FM | Mauro Ângelo/Diário do Pará

As primeiras ondas radiofônicas foram transmitidas no país no início da década de 1920 e por elas passaram de música à informação e até radionovelas. Hoje, Dia do Rádio, seja em aplicativos, plataformas ou podcasts, quem dedica sua vida ao rádio diz que ele está cada vez mais vivo, basta escolher sintonizar ou conectar para ouvir.

“O rádio é ainda o principal companheiro, aquele amigo que está sempre próximo do seu ouvinte”, afirma Jorge Kobara, diretor de programação da rádio 99 FM. A cada nova mídia é comum que se anuncie o fim próximo do rádio, mas ele provou que não é bem assim. Tem alta possibilidade de agregar e de se refazer, e continua assumido um papel importante.

“Ainda mais porque existem locais e situações em que nem todos têm acesso a todas as mídias. Há locais no Pará, por exemplo, em que o uso do rádio é maior até que o da TV, porque a transmissão televisiva não chega bem”, lembra Mário Camarão, coordenador da rádio Unama FM e doutor em Comunicação e Cibercultura.

E a internet abarcou o rádio de maneira impressionante, com chats de voz, podcasts e compartilhamento de áudio que acabaram dando nova roupagem ao que se costuma chamar de rádio. Há ainda a própria convergência de rádios tradicionais para o digital, como ocorreu com a Rádio Clube e a Diário FM, que têm seus próprios aplicativos.

“[O podcast] é uma programação por demanda, para ouvir na hora que quiser, onde quiser. Antes, eu tinha que estar lá naquele momento [da transmissão], com a internet; agora, não mais”, aponta Camarão.

A produtora e locutora Paula Marrocos destaca que, mesmo uma rádio tradicional como a Clube, com 91 anos, pode alcançar novos públicos. “Os ouvintes da Clube são aqueles amantes do rádio mesmo, que ouvem há muitos anos. Mas tem aquela turma que, quando criança, ia com os pais para o estádio, via o rádio presente naquele ambiente, e hoje acompanha pelo digital”, diz.

A locutoras Paula Marrocos e Haynna Hálex, em ação na Rádio Clube.
📷 A locutoras Paula Marrocos e Haynna Hálex, em ação na Rádio Clube. |Mauro Ângelo/Diário do Pará

INTERATIVIDADE

O professor Mário Camarão lembra que o rádio “tem uma linguagem própria, de gerar espontaneidade, intimidade, e não só informação, como entretenimento”. E quem está lá no dia a dia, diz que as plataformas e redes digitais acabaram se tornando um potencializador dessa característica.

“A 99 FM existe há 26 anos, é líder de mercado há 23, com uma audiência massiva. O WhatsApp da rádio, por exemplo, é muito usado. A gente recebe ‘alôs’, pedidos musicais, áudios. A interatividade do público com a gente é muito grande principalmente porque a 99 FM é uma rádio popular, feita para ser amiga no dia a dia do seu ouvinte”, afirma Kobara.

Internet mudou a forma de ouvir rádio

E m um ambiente de formação de novos profissionais do rádio, o professor Mário Camarão afirma que o ensino prevê não só o aprendizado das práticas tradicionais, o trabalho com a voz, maior instrumento dessa mídia, “mas, principalmente, que eles [alunos] entendam o papel do digital e como ele implica na transformação do que concebemos como rádio”.

Nessa perspectiva os alunos aprendem a casar conteúdos. “O jornalismo ganha ar de entretenimento, o que hoje chamamos de ‘infortenimento’, inspirado no digital”, aponta o professor. Assim, investe-se ainda mais firme no conteúdo, cada um usando suas melhores armas e o conhecimento sobre seu público mais fiel.

Na Rádio Clube, por exemplo, os programas têm uma linguagem atualizada, mas também contam com nomes que são referência no segmento e que resgatam sua tradição, como Nonato Cavalcante, que apresenta o “Clube da Manhã”, carro-chefe do jornalismo na emissora. “E conta com a interação dos ouvintes via WhatsApp”, acrescenta a produtora e locutora Paula Marrocos.

Com o mesmo objetivo de “infortenimento” está a Diário FM, há 21 anos no ar e com um público das classes A e B atento a uma programação musical sintonizada com os lançamentos nacionais e internacionais, mas cada vez mais, como sua irmã da AM, tem investido intensamente no jornalismo, voltado especialmente a esse público acima dos 25 anos.

Aelson Silva dá informações sobre música e notícias quentes na Diário FM.
📷 Aelson Silva dá informações sobre música e notícias quentes na Diário FM. |Mauro Ângelo/Diário do Pará

“Temos durante toda a nossa programação as notícias nacionais, locais e mundiais. O rádio tem que acompanhar o ritmo acelerado com que as pessoas estão hoje consumindo informação e os lançamentos musicais”, afirma o locutor Gutu Miranda, destacando que essa busca por informação também se traduz na sempre presente busca por novidades em música. “A gente tem um trabalho intenso de pesquisa de música tanto na Europa quanto na América. E os locutores também trazem uma linguagem ligada a essa segmentação”, aponta.

E a estratégia parece que tem dado muito certo. Afinal, o rádio continua firme e forte na vida de muitos ouvintes desde a sua primeira transmissão, em 7 de setembro de 1922, na comemoração do centenário da independência brasileira. Na ocasião, uma estação de rádio foi instalada no Corcovado, no Rio de Janeiro, para a veiculação de músicas e do discurso do então presidente Epitácio Pessoa.

A data que se utiliza hoje para marcar o Dia do Rádio, no entanto, é o nascimento de Roquete Pinto, o “pai do rádio brasileiro”. Ele fundou, em 1923, a primeira emissora do país, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Era uma fase experimental do veículo, sem grandes avanços tecnológicos, algo que claramente já foi superado em tempos de internet e redes sociais.

E mesmo essa forma mais tradicional de ouvinte, sintonizada no radinho ainda deve existir e persistir alguns anos pela frente, acredita o professor Mário Camarão. “Igual ao jornal impresso, as pessoas criam essa paixão pelo rádio, estabelecem essa relação que o digital não consegue superar. Principalmente o mais mais velho ainda quer seu rádio de pilha, ainda quer ouvir o rádio no carro”, diz, destacando que essa relação de amor não tem data para acabar.

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