Pela segunda vez em Belém depois de disputar as eleições presidenciais de 2018, um dos principais nomes do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Guilherme Boulos, participou, ontem, de um encontro com representantes da Esquerda na capital paraense e defendeu a unidade entre eles como forma de enfrentamento ao que ele classificou de “retrocessos do governo Bolsonaro”. A visita faz parte de uma agenda que percorre dez capitais brasileiras onde o PSOL apresenta um nome competitivo para as eleições municipais de 2020.
Durante a roda de conversa, Boulos – que também é coordenador do Movimento de Trabalhadores Sem Teto (MTST) – frisou que a união da Esquerda deve estar pautada na defesa dos direitos sociais, do meio ambiente (em especial da Amazônia), da democracia e da soberania nacional. Estiveram no encontro representantes do PT, da Rede, do Sustentabilidade e PDT. “Nesse momento estamos muito focados em construir uma mobilização social para barrar os retrocessos do governo Bolsonaro. No primeiro semestre, a oposição ficou um pouco desorientada diante da tática do governo. O Bolsonaro age como alguém que está em guerra a todo momento e muitas das vezes tomando como inimigo o próprio povo brasileiro. Isso deixou a oposição muito na defensiva no primeiro momento, respondendo aos ataques do Bolsonaro”, disse.
Para ele, as pesquisas têm mostrado que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) está perdendo popularidade e ficando enfraquecido – o que na visão dele abre caminhos para a Esquerda se apresentar como uma alternativa.
Os partidos de Esquerda e de oposição devem buscar as condições, tanto no parlamento quanto nas ruas, para conter as políticas do atual presidente da República. “A eleição de 2020 será inevitavelmente também plebiscitária em relação a avaliação do governo federal. Acho que, aqui em Belém, a esquerda, a oposição, tem boas chances de apresentar uma força e com muita unidade”, frisou Guilherme Boulos.
SAÚDE E EDUCAÇÃO
O candidato à Presidência do Brasil nas últimas eleições também acredita que a política de Bolsonaro para as áreas da Saúde e Educação vai refletir na campanha do ano que vem. Isso porque estas áreas fazem parte dos direitos universais previstos na constituição de 1988 e que estão, segundo Guilherme Boulos, profundamente ameaçadas pelo presidente. “Esses serviços estão sendo desmontados por uma política criminosa de ajuste fiscal e por retrocessos na legislação trabalhista e previdenciária”, comentou.
‘O que acontece na Amazônia é um crime do governo federal’
Questionado sobre a situação da Amazônia, que apresenta os maiores índices de queimadas e desmatamento dos últimos anos, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Guilherme Boulos foi categórico ao afirmar que o que aconteceu na maior floresta tropical do mundo não foi acidente e que o governo federal quer ampliar a fronteira agrícola queimando a floresta e devastando tudo. “O que acontece na Amazônia é crime. Um crime deliberado, estimulado por quem está hoje no governo federal com uma ideia de ampliar as fronteiras agrícolas, ampliar as pastagens, invadir terras indígenas para a mineração, para o garimpo. A proposta do Bolsonaro é essa. Um governo rendido para o agronegócio. Por exemplo, liberou 350 agrotóxicos em oito meses de governo”, citou.
Para o ex-presidenciável, o discurso de Bolsonaro na Organização das Nações Unidas (ONU) foi vergonhoso e desrespeitoso. “Nós temos comando de um país alucinado que é cercado de gente que acha que a terra é plana, que nega aquecimento global, que nega os fatos mais concretos e óbvios do desmatamento”, definiu Boulos.
“A esquerda brasileira vai estar na linha de frente em defesa do meio ambiente e da defesa de um outro modelo de desenvolvimento econômico do país para enfrentar esse projeto devastador do governo Bolsonaro”, encerrou.
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