Mais de cinco anos de espera. É esse o tempo que os moradores do bairro do Jurunas, na capital paraense, aguardam a conclusão e entrega da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro. A obra da Prefeitura de Belém teve início em 2014, e deveria ter sido entregue dois anos depois, mas já se estende por mais três anos, enquanto a comunidade é obrigada a buscar atendimento em unidades de outros bairros, sobrecarregando ainda mais o sofrível sistema de saúde municipal.
Localizada na esquina da travessa Bom Jardim com Quintino Bocaiuva, onde antes funcionava uma escola pública, a obra já virou motivo de reclamação dos moradores pela indefinição da entrega. “Ninguém sabe quando isso aqui vai funcionar. Esse é o maior problema. Ninguém diz nada, dá um prazo, enquanto isso a gente fica aqui, tendo que correr para longe, se quiser ser atendido”, reclama um morador, que pediu anonimato. Ele informou que diariamente observa vizinhos procurarem a unidade sem sucesso.
A obra foi orçada em mais de R$ 6 milhões, mas quem visita o local não tem essa informação, pois não há placa indicativa, o que infringe Lei Federal nº 8.666, de 2013. A falta de transparência também pode ser vista do lado de fora. Poucos funcionários estão no local. Um deles disse à reportagem que aproximadamente 15 homens trabalham em ritmo normal, mas os vizinhos dizem que não é bem assim.

“Até umas duas semanas atrás, eu ainda vi alguns, mas nos últimos dias não vi mais ninguém”, rebate outro vizinho da obra. Eles aceitaram falar com a equipe do DIÁRIO, mas não quiseram se identificar, devido à impaciência com a omissão do prefeito Zenaldo Coutinho que, segundo eles, não cumpre o prazo de entrega dito por ele próprio, até 2016. De fato, alguns homens trabalham no local, mas num ritmo que parece estar longe do normal. Talvez a referência se dê pelo andamento de outras obras do município, que se arrastam ao longo dos anos, como o BRT, que há quase 10 anos assombra a mobilidade urbana da capital.
LONGE
O maior problema na demora, dizem eles, é a necessidade de buscar atendimento longe de casa, a mais de cinco quilômetros dali, quando poderia ter uma unidade completa a apenas alguns passos. Uma alternativa seria o Pronto-Socorro do Guamá, que está fechado para reforma e sem previsão concreta para entrega. A solução é ir mais longe. “Nós sempre vamos na Terra Firme ou na 14, já que aqui o único movimento é do vigia e da viatura que passa para impedir que moradores entrem”, lamenta.
A novela que virou a entrega da unidade, que tem recursos do Governo Federal, já foi revelada pelo DIÁRIO por várias vezes ao longo dos últimos anos. A reportagem esteve em março deste ano no local e as queixas dos moradores eram as mesmas em relação à obra: execução dos serviços bastante vagarosa e falta de transparência nas previsões de conclusões e valores exatos da construção da Unidade.
SEM RESPOSTA
Em março, a Prefeitura informou ao DIÁRIO que o projeto passou por readequações, sem explicar quais seriam, e ainda culpou o período chuvoso como empecilho para os serviços. Por fim, declarou que o Banco do Brasil havia liberado recursos através de um empréstimo e que a obra seria concluída em julho. Dois meses se passaram e tudo continua na mesma. Contatada pela reportagem ontem (30), a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou apenas que a obra será entregue ainda no segundo semestre.
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