Pichações nos monumentos e por toda a fachada do prédio, calçadas esburacadas, forte odor de urina, urubus e sujeira. Quem transita pela Praça Floriano Peixoto, no bairro de São Brás, em Belém, se depara com um desolador cenário de abandono das áreas externa e interna do Mercado de São Brás. O espaço é constantemente alvo de vandalismo, a exemplo do roubo de três estátuas de bronze que formavam um grupo escultórico, compondo o Complexo Arquitetônico de São Brás inaugurado em 1959.
O local poderia servir de área de lazer, já que está posicionado em uma região de grande movimentação, além de ser um ponto de deslocamento para o centro da cidade, mas não recebe a devida atenção do prefeito Zenaldo Coutinho. Porém, está bem longe disso. Quem trabalha na área contabiliza os problemas e se entristece ao ver um patrimônio esquecido.
Do lado de dentro, o mercado é quente e as paredes estão tomadas por infiltrações, limo e até mato. As goteiras também estão por toda parte da cobertura. O piso está deteriorado e há luminárias quebradas. É nessas condições que os comerciantes desenvolvem suas atividades, alguns estão ali a décadas. É o caso de Fernando Campos de Sousa, 50 anos, que atua no mercado com a venda de vinis, cds, dvds, blu-ray, entre outros itens, há 35 anos. Ele conta que, devido a aparência deteriorada, muitos clientes acreditam que o comércio já nem exista ali. “Quando chove molha tudo aqui dentro. Fico triste de ver a situação de um prédio que já foi muito visitado, principalmente nessa época de Círio. Esse ano foi muito fraco”, lamentou.



FEIRANTES
Proprietário de duas barracas de venda de farinha no mercado, o comerciante Manoel Santos, 41, é cearense e trabalha no espaço desde 1996. Ele lembra que, com o passar dos anos, o número de feirantes que atuam no local diminuiu consideravelmente. “Já foi um dos melhores movimentos de Belém. É um patrimônio abandonado. Entra e sai prefeito e nenhum faz nada. A única vez que fizeram uma pintura aqui foi na época do Edmilson (ex-prefeito Edmilson Rodrigues)”, ressaltou. “Tenho duas barracas de farinha e pago R$ 45,00 de aluguel por cada uma”.
Visitando a capital, a professora maranhense Késia Maia, 34, acompanhada da mãe, a aposentada Maria de Nazaré, 62, já conhecia Belém. Mas ontem visitou o mercado pela primeira vez e não se agradou do que viu. “Passamos lá fora e sentimos um fedor muito forte de urina. Até comentei com minha mãe que por ser um mercado de vendas, poderia ser melhor aproveitado. É uma área bonita, mas os prédios estão muito mal conservados”.
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