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Paraense viaja cerca de três horas para entregar bolo e cumprir promessa

Há cinco anos, todo mês de outubro, a autônoma Bena Dantas, de 50 anos de idade, viaja aproximadamente três horas de Belém para rio Bituba, no interior de Cametá, nordeste paraense, para pagar uma promessa que fez logo após a morte da mãe. 

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Imagem ilustrativa da notícia Paraense viaja cerca de três horas para entregar bolo e cumprir promessa camera Monique Costa

Há cinco anos, todo mês de outubro, a autônoma Bena Dantas, de 50 anos de idade, viaja aproximadamente três horas de Belém para rio Bituba, no interior de Cametá, nordeste paraense, para pagar uma promessa que fez logo após a morte da mãe.

Paraense viaja cerca de três horas para entregar bolo e cumprir promessa
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Ainda menina, Bena participava das festividades católicas nas comunidades ribeirinhas junto com a mãe e refletia com a genitora sobre a estética dos bolos que chegavam para serem arrematados em prol da comunidade.

"Eram bolos muito pequeninos, sabe? Não tinha aquele trabalho, detalhes. Não vou dizer que não eram feitos com amor, mas olha, eu senti que podia fazer mais", explica, confessando que não fazia mínima ideia de como fazer um bolo de verdade.

Porém, conversando com a mãe alguns dias antes dela partir, prometeu que iria aprender e entregaria sua "arte" em todas as festividades de São Benedito, realizada no rio Bituba todos os anos.

Logo após a partida da mãe, Bena não sossegou com a ideia de que precisava aprender a meter a mão na massa.

"Foram meses, dias estragando trigo. Por pouco não desisto. Mas sempre que pensava na minha mãe, eu recarregava algo em mim e me dava mais força pra continuar tentando. Parece uma coisa boba, mas pra mim era um grande sonho. Entregar bolos bonitos nas festividades", conta, emocionada.

Um dia enfim ela conseguiu, com êxito, o formato perfeito, com direito a confeitos, recheados de frutas, flores e outras invenções que saíam da cabeça.

Bena é cametaense, mas desde menina veio a Belém para trabalhar. E, assim, já fincou raizes na capital paraense: ela tem três filhos e mora com as crias e o marido no bairro do Marco.

E o mais incrível na história de Bena não é a persistência, a garra da mulher paraense, o catolicismo ferrenho ou tampouco a solidariedade em querer ajudar o próximo com um simples gesto. Além dela fazer o bolo, ela precisa passar por muitas provas pra que ele saia inteiro e possa ajudar outras pessoas.

Ainda na madrugada deste sábado (26), lá estava ela, com a barriga no forno batendo massa, jogando trigo, ovos e tudo o que tinha direito. Em seguida, fez questão de confeitar com toda doçura que possuía na geladeira e no coração. Já pronto, uvas e maças deram um sabor a mais. A "cria" estava pronta. Ainda nas primeiras horas do dia, ela já pegava o primeiro Pedreira Lomas que via para chegar até o porto fluvial, localizado no bairro da Cidade Velha, em Belém.

Paraense viaja cerca de três horas para entregar bolo e cumprir promessa
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Já com a passagem em mãos, ela desceu no ponto até uma embarcação que a aguardava. Depois de uma hora de viagem, ela seguiu firme forte com o bolo nos ombros até um ônibus que a levaria para Cametá. Por lá, verificando se o bolo estava "vivo", ela embarcou com um mototaxiclista até a comunidade. UFA!

Monique Costa

"Nunca quebrou, sabia?! É tão incrível que o bolo nunca quebrou. Já passei por poucas e boas e nunca aconteceu nada. Quando eu faço esses bolos, não importa a aventura que vou passar. Não importa se vou encontrar obstáculos, o importante que vai chegar no destino. Faço tudo pela fé. Tenho tanta fé que vai chegar bom e chega mesmo", conta ela, ainda comentando que o marido sempre comenta que eles estão sem dinheiro, que precisam pagar isso e aquilo, mas ela não desiste da promessa.

"São Benedito merece. Farei isso até os últimos dias de minha vida. Por minha mãe, por mim, pela nossa fé. Mesmo se eu não tiver dinheiro, vou fazer de tudo pra conseguir e poder comprar o material", diz.

Além da Festividade de São Benedito, Bena ajuda doando bolos para mais três festejos católicos. A Festividade de São Benedito acontece semmpre no mês de outubro e conta com uma extensa programação, com orações, grupo de músicas e leilões com verbas destinadas a comunidade.

Uma história que serve de inspiração, renovação de fé e como a própria Bena comentou ao DOL: "poderia estar em casa dormindo nesse sábado bonito, mas prefiro alimentar minha fé fazendo o bem sem olhar a quem".

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