A redução do número de crimes e a consequente melhora na qualidade das investigações, com ações pontuais e muito treinamento. Essa vem sendo a diretriz do sistema de segurança pública do Estado desde o início do ano. O resultado após 10 meses é a preservação de mil vidas, com a redução de 38% nos casos de homicídios (371 em 2018 contra 230 neste ano, com 141 casos a menos).
Outro dado que exemplifica bem essa nova realidade: o aumento de 55% dos mandados de prisão cumpridos, que passaram de 299 em 2018, para 464 mandados em 2019. “Fizemos operações específicas em desfavor de grupos que praticavam homicídios e de combate ao tráfico de droga, para a redução dos outros crimes”, diz Alberto Teixeira, delegado-geral da Polícia Civil.
Ele destaca a queda no índice de criminalidade, e o que contribuiu para essa conquista: somente em outubro foram realizadas 379 operações, 465 prisões, 40 quilos de drogas e 54 armas apreendidas. “Os meios materiais continuam os mesmos e o efetivo da Polícia Civil diminui com as aposentadorias. O que melhorou foi a otimização do trabalho e a inteligência policial”, destaca.
Entre os casos citados pelo delegado-geral está a chacina ocorrida no bairro do Guamá, em Belém, no dia 19 de maio deste ano, quando foram executadas 11 pessoas - seis mulheres e cinco homens –, por atiradores que entraram encapuzados e armados no “bar da Vanda”, localizado na Passagem Jambu. Em menos de uma semana, as investigações da Polícia Civil já haviam identificado os suspeitos, que começaram a se entregar. Não há histórico de outro crime de tamanha complexidade que tenha sido elucidado em tão pouco tempo. O inquérito foi concluído antes de completar um mês, com provas materiais que não davam margem a dúvidas sobre a participação dos acusados.
Para o diretor da Divisão de Homicídios, Eduardo Rollo, a força-tarefa envolveu diversas delegacias, com o trabalho de inteligência intensivo para o levantamento do fato, coleta de depoimentos, reconhecimentos e filmagens. “ A resposta enérgica da polícia, e do Estado, demonstrou que não seria fácil matar de novo. Há diminuição da criminalidade e aumento da confiança da população”, afirma Rollo.
SEM MEDO
Sentar em frente de casa para conversar com vizinhos é um hábito antigo, que aos poucos retorna ao cotidiano dos paraenses. O gesto simples, que fez parte da vida de muitas gerações, acabou sendo sufocado pelo medo, devido ao aumento da violência.
“As pessoas estavam nas suas portas e, de repente, eram assaltadas, mortas por marginais que passavam. Matavam até quem não tinha crime nenhum nas costas, só por perversidade mesmo. De uns meses para cá, a polícia está nas ruas, em cima dos delinquentes, descobre e prende mais rápido. Melhorou muito!”, afirma o ambulante Geraldo Lima, 62 anos.
Moradora do bairro do Telégrafo, a pedagoga Helena Gaia concorda e percebe a reitera agilidade na identificação de criminosos. “Tem uma grande melhoria, porque nos crimes que ocorriam nas redondezas rapidamente os causadores eram apontados”, ressalta. A participação da população também contribui para o andamento das investigações, seja por informações concedidas diretamente nas delegacias, ou de forma anônima pelo 181, o Disque Denúncia.
Resultados conquistados também na área rural
A celeridade nas investigações também beneficia as áreas rurais. No final de março ocorreram dois triplos homicídios em Baião, sudeste paraense. O fazendeiro Fernando Ferreira Rosa Filho foi localizado e preso em Tucuruí, também no Sudeste, acusado de ser o mandante do assassinato de 6 pessoas. Ele é dono de uma propriedade onde três funcionários foram mortos - um casal de caseiros e um tratorista - e tiveram os corpos queimados.
A fazenda fica a 14 km do assentamento Salvador Allende, onde foram mortos, dois dias antes, o maranhense Claudionor Amaro Costa da Silva, 43 anos; a esposa, Dilma Ferreira Silva, 45 anos, e Milton Lopes, 38 anos. O fazendeiro foi preso pelos policiais enviados ao município após representação judicial. Quatro homens apontados como executores das seis mortes também foram presos. “As Delegacias Especializadas de Conflitos Agrários possuem memórias investigativas que conhecem o modus operandi dos criminosos, e se baseiam em protocolos de investigação”, conta Alberto Teixeira, que comandou a “Operação Fire”, como ficou conhecida a força-tarefa.
Para o delegado, esses casos exemplificam que nas áreas urbanas e rurais a Polícia Civil está no caminho certo. “Estamos combatendo a percepção de que o crime compensa. Esse é o caminho, mas ainda precisamos melhorar. Temos a previsão de concurso público e implantação de tecnologias na polícia judiciária”, informa Alberto Teixeira.
Segundo o delegado-geral, as ações das forças de segurança com outras iniciativas do Estado, como o Território pela Paz (TerPaz), também são direcionadas para melhorar o cenário da criminalidade, com aplicação de políticas de cidadania que se refletem positivamente na vida das pessoas, aumentando a credibilidade. “A Polícia Civil está próxima fornecendo outros serviços, como emissão de RG, ocorrência de violência doméstica e orientação para a juventude, assim a população procura mais as delegacias e também colabora voluntariamente”, acrescenta Teixeira.

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