Buscando valorizar a pessoa idosa, garantindo maior inclusão social, o Programa de Extensão Universidade da Terceira Idade (Uniterci), do Instituto de Ciências Sociais, da Universidade Federal do Pará (UFPA) realiza uma série de atividades socioeducativas voltadas para este público. São cursos e outras iniciativas dentro da UFPA que garantem uma maior interação entre os idosos e os graduandos.
Nazaré Monteiro, 67 anos, é uma das integrantes do projeto e participa das atividades de libras e inclusão social. Ela buscou o aprendizado nestas áreas para se comunicar melhor com os vizinhos, que são surdos, e com o neto, que também é uma pessoa com deficiência.
“Procurei fazer algo para que pudesse interagir com as pessoas que têm certas dificuldades em manter um diálogo. Isso me chamou a atenção. Convivo com pessoas surdas, são meus vizinhos, e me interessei em fazer libras porque, assim como o inglês, é uma língua universal. Todo mundo me pergunta: ‘porque tu vai fazer isso se já está velha?’, mas eu respondo com um ‘vai lá ver como tu muda com esse projeto’. E como a gente muda. Aprendi a ter a mente jovem e sã”, falou.
PROJETO
O coordenador do Uniterci, Luciano Silva Gomes, explicou que o projeto busca inserir as atividades acadêmicas na vida das pessoas, independentemente da idade, e afirma que o projeto tem boa aceitação tanto por parte dos participantes como dos estudantes da universidade.
“Esse projeto é uma iniciativa histórica e vem se desenvolvendo ao longo dos anos. A universidade percebeu a necessidade de inserção destes idosos enquanto cidadãos com ambos contribuindo nesse processo de interação e relacionamento. A universidade cumpre de fato seu papel inserindo a todos em atividades acadêmicas e de relações sociais”, disse.
O programa
Programa Uniterci tem como objetivo a inclusão social dos idosos, o exercício da cidadania e a promoção de um envelhecimento saudável para melhorar a qualidade de vida.
Participação

Conceição Duarte tem 66 anos e há pelo menos um ano participa do projeto Uniterci. Para ela, atividades do tipo fazem com que os idosos não parem de se atualizar, derrubam preconceitos, deixando de lado a tristeza por um possível isolamento nesta fase da vida. “Sinto-me um pássaro solto quando estou aqui, somos um grupo muito grande com uma verdadeira união. Eu quero viver a grandeza que Deus nos deu, de ser idosa e aproveitar a vida”, relatou.

Para Darci Moura, 77 anos, o espaço é um local para conversar e interagir com pessoas da mesma idade. “Aqui eu falo a mesma língua com minhas colegas, ninguém me reprime”, afirma. “Eu me sinto muito bem, saio de casa e venho com a maior alegria”, afirmou.

Esmeralda de Nazaré Ferreira, 63 anos, declara ser uma pessoa “super conectada”, soube das atividades do projeto pelas redes sociais e defendeu uma maior atenção aos idosos. “ Queria que as autoridades dessem mais atenção porque são vários idosos que precisam desse projeto que me tirou de casa, dos meus pensamentos, onde achava que meus problemas eram os maiores de todos. Aqui a gente vai trabalhando a paciência, resiliência e todas estas motivações vai nos engrandecendo”, disse.

Vilani Carraro, 66 anos, participa inclusive de aulas na UFPA ao lado dos estudantes de graduação. Isso fez com que ela se sentisse acolhida e abrisse os horizontes sobre o que acontece no mundo. “Muita gente acha que quando passa dos 60 anos é nosso ‘fim de carreira’, ficando recluso em casa. Hoje eu participo de aulas de ecoturismo e estou amando, além de arte e educação. O projeto é válido porque começam a olhar o idoso com outro olhar, mais sensível e amoroso entendendo o processo de envelhecimento físico e mental”, destacou.
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