De quantas maneiras é possível apresentar um produto, gerenciar um negócio, atender às necessidades do cliente? Quando se tem em mente a busca pelo crescimento econômico na indústria, a reflexão sobre o que há para ser feito de diferente leva a uma prática que, cada vez mais, figura nas variadas fases do processo produtivo: a inovação.
A possibilidade de se conceber algo novo que resulte em mudanças no próprio desenvolvimento do negócio pode estar presente, claro, em grandes investimentos em tecnologia, porém, não apenas neles. Quando se trata de criar oportunidades, a saída pode estar nas mais simples ações.
Ao ser fundada com a intenção de inovar no oferecimento de produtos naturais e artesanais da culinária Amazônica, a Manioca Brasil, não se tinha a imaginação de que poderia capitanear tal conceito também para a gestão do negócio.
Ao participar do Programa de Gestão da Inovação, apresentado pelo Instituto do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Inovação e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), porém, a pequena indústria paraense percebeu nos próprios colaboradores uma importante fonte de inovação. “Nós percebemos que não inovávamos em nossos processos internos”, aponta Joanna Martins, pesquisadora em gastronomia e fundadora da Manioca.
AMAZÔNIA
Com foco nos insumos da Amazônia e em um processo de produção natural, a empresa produz geleias, temperos, tucupi, farinhas e grãos voltados principalmente para o mercado nacional. Durante o processo de criação de novas embalagens para os produtos, um simples ato foi suficiente para que a inovação na gestão passasse a fazer parte do dia a dia da empresa.
“Nós tínhamos adotado um tipo de embalagem para as farinhas que decidimos apresentá-las aos colaboradores”, lembra Joanna. “Eles identificaram que o design era complicado tanto para embalar o produto, quanto para abrir depois”.
Se a dificuldade em abrir a embalagem foi sentida pelos colaboradores, certamente também chegaria aos consumidores. Como resultado, a empresa decidiu modificar e renovar as embalagens utilizadas. Desde então, a equipe é sempre convidada a opinar, sugerir e avaliar os produtos desenvolvidos. “No caso das embalagens precisamos investir na confecção de novas embalagens, mas o resultado foi efetivo e muito bom”.
Na parede da fábrica onde são produzidos os produtos comercializados pela Manioca, um cartaz em formato de pirâmide também garantiu mudanças significativas à empresa. Com marcadores nas cores verde, amarelo e vermelho, é possível identificar rapidamente, dia a dia, se a produção decorreu sem nenhum problema; se houve alguma necessidade de alerta; ou se aquele dia demandou uma ação imediata.
Com o modelo visual, foi possível monitorar de forma simples possíveis falhas na produção e, consequentemente, abrir espaço para que a inovação na elaboração dos produtos em si fosse ainda mais estimulada. “Eu e o meu sócio, Paulo Reis, nos propomos a abrir a Manioca. O objetivo era fazer com que o mundo conhecesse os sabores da Amazônia e isso tem que vir junto com a inovação”, considera, Joanna. “Não se pode imaginar que o público de São Paulo, por exemplo, vai consumir os nossos produtos exatamente da mesma forma que a gente aqui, então é preciso pensar em formas de adaptar os nossos sabores ao mercado que buscamos atender”.
Inovação também é a chave para a fidelização dos clientes
Assim como no caso da Manioca, a necessidade de fidelização dos clientes também passa pela inovação na doceria Delalê. Com uma variedade grande de bolos, tortas, salgados e cafés, a doceria também encontrou na opinião de um dos colaboradores uma novidade que caiu no gosto dos consumidores.
“Temos um público fiel, que vem sempre na loja, então é preciso apresentar sempre novidades”, considera a proprietária Leitícia Belarmino. Dentro do processo de busca pela inovação na gestão do negócio, o novo também partiu de uma colaboradora que, inclusive, nem atuava na área da gastronomia dentro da empresa. Uma funcionária teve a ideia de fazer um café com pó da paçoca.
A inovação deu tão certo que o café com paçoca entrou para o cardápio da doceria sempre no período das festas juninas. Além dela, outro produto criado pelos colaboradores também figura no menu, a empada de jambu com queijo cuia. “Fazemos campeonatos com a equipe de padeiros para a criação de novos produtos e daí também surgiu uma criação que agradou aos clientes”, conta Leitícia, ao destacar, ainda, a presença de dois cafés premiados em competições nacionais, também criados por uma funcionária, a barista Daniele Oliveira.
INCREMENTO
Ainda que medidas simples, o ato de incentivar e dar vazão à criatividade de quem integra a equipe é uma ação inovadora. Assessora de inovação do Núcleo Estadual de Inovação da Federação das Indústrias do Estado do Pará e integrante da equipe que comandou o Programa de Gestão da Inovação, do qual participaram a Manioca e a Delalê, Thais Haber explica que existem dois tipos de inovação: a incremental e a radical.
“Quando a gente fala sobre inovação incremental são aquelas ações pequenas, que não vão mudar completamente o eixo ou o negócio de uma empresa, mas que vão fazer diferença para ela”, explica. “Nesse projeto a nossa ideia foi mostrar para as micro e pequenas indústrias que é possível inovar sem gastar rios de dinheiro”.
Como nos resultados obtidos nas duas empresas, criar uma gestão adequada dos funcionários, proporcionar momentos para que eles possam opinar e desenvolver metodologias de comunicação mais efetivas já contribuem, em muito, com a eliminação de grande parte dos erros cometidos e, sobretudo, proporciona o engajamento dos colaboradores.
“Inovação é uma palavra associada às vezes à alta tecnologia, mas não necessariamente. Qualquer pessoa consegue inovar, é só tentar pensar de uma maneira diferente”, complementa o diretor do Núcleo Estadual de Inovação da Federação das Indústrias do Estado do Pará e do Instituto Senai de Inovação em Tecnologias Minerais, Adriano Lucheta.
Serviço:
Inovação leva tempo
Qualquer ideia precisa de tempo para amadurecer e ser executada. Apressar o processo leva a falhas, mas postergar demais também faz com que a ideia perca a relevância. Execute a inovação no tempo certo.
Inovação deve ser adaptada
Não existe apenas um jeito de inovar, nem uma fórmula para isso. Existem inovações extremamente impactantes que custam pouco, o importante é adaptar para o seu contexto.
Inovação deve ser contínua
A inovação não pode acontecer apenas uma vez, deve ser um processo cíclico para gerar a cultura inovadora e perpetuar a geração de novas ideias na organização.
Envolver colaboradores
Ninguém conhece melhor as particularidades da empresa do que os colaboradores responsáveis. Eles oferecem ideias úteis e normalmente de baixo investimento para que a inovação aconteça.
Inovação é persistente
Inovação é cultura. Inovação se aprende. Deve ser um processo contínuo e paciente, pois não serão todas as ideias que darão certo.
Inovar é arriscado
No caminho da inovação, ela sempre estará acompanhada de riscos, mas são esses riscos que vão manter a organização sempre à frente.
Fonte: Instituo Senai de Inovação
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