O que era para ser um momento de lazer acabou de forma trágica para três jovens moradores da periferia de Belém. Os amigos foram assassinados na noite de sábado (7), na Alameda do Andrade com a rua Manoel Rosa, no bairro do Curuçambá, em Ananindeua, logo após uma partida de futebol. José Carlos Corrêa, 38 anos, Jhonny Ramos Marinho, 28, e Deyvison Renato Souto, 29, atleta do Clube do Remo, foram atingidos cada um por três tiros de arma de fogo e morreram no local.
A Polícia Civil, ontem, informou que Jhonny Marinho e José Carlos eram proprietários de uma banca de apostas on-line, a Sports Fanatics, mas que eles não trabalhavam no bairro do Jurunas devido à alta concorrência. A dupla explorava a atividade em outros bairros, como Paar, Icoaraci e de outros municípios como Ananindeua, Marituba, Moju e Mocajuba.
Deyvison, por sua vez, era remador do clube azulino e tinha sido convidado para ir ao local porque era o único que possuía carteira de habilitação.
José Carlos Corrêa, Jhonny Ramos Marinho e Deyvison Renato Souto tinham ido até o campo do Águia (antigo Campo do Miranda) localizado no bairro para assistir uma partida da semifinal do campeonato de pelada entre os times “Flamenguinho”, do bairro do Jurunas, e “Botafogo”, que seria o time da casa.
Segundo os moradores do local, a área que abriga vários outros campos de futebol atrai uma grande quantidade de atletas amadores, principalmente nos finais de semana.
Inicialmente, no sábado, a Polícia Civil (PC) através da Divisão de Homicídios, trabalhou com a hipótese de que as vítimas foram abordadas pelos criminosos quando retornavam para suas casas, e que o veículo que os amigos estavam teria sido interceptado pelo bando que pediu para que os ocupantes descessem do automóvel, antes de serem executados. Os corpos dos homens estavam caídos do lado de fora do carro que não sofreu nenhum dano. Todos os três mortos foram atingidos em média por três disparos de arma de fogo.
A primeira guarnição da Polícia Militar (PM) que esteve no local da ocorrência para apurar informações prévias, contou que no momento do crime a estreita passagem estava tomada por outros atletas e pessoas que foram torcer durante o jogo, e que na hora do tiroteio teriam fugido. Ainda segundo a PM, nessa área que possui pouca iluminação pública e é distante do centro, as pessoas têm receio de falar, imperando a “lei do silêncio”.
REMOÇÃO
Parentes e conhecidos das vítimas chegavam a todo momento na cena de crime para acompanhar o trabalho dos peritos e da equipe de remoção do Centro de Perícias Renato Chaves.
Uma parenta de Deyvison disse que ele não vinha sofrendo nenhum tipo de ameaça ou teria passagem pela polícia. A Polícia Civil confirmou também que nenhum dos outros dois mortos respondia por crimes.
INQUÉRITO
Durante a examinação dos cadáveres foram coletados objetos pessoais como relógios, celulares e aproximadamente R$ 5 mil em dinheiro que estavam com uma das vítimas. Nenhum pertencente de dentro do carro também teria sido levado pelo bando. A PC instaurou inquérito para investigar a motivação dos assassinatos e tentar localizar os suspeitos que fugiram do local sem deixar nenhuma pista.
TRIO É EXECUTADO NO REDUTO
Três homens foram assassinados a tiros na tarde de ontem, no bairro do Reduto, em Belém. Eles estavam desde o início do dia em frente a um depósito e, de acordo com moradores, as vítimas trabalhavam como flanelinhas no bairro. O crime aconteceu na travessa Piedade, entre as ruas Ó de Almeida e Senador Manoel Barata.
Uma testemunha ocular do crime, que não será identificado, contou à reportagem que viu quando dois homens de capacete, em uma motocicleta, se aproximaram das vítimas. “O garupa foi o primeiro que começou a atirar. Foram uns 15 tiros. Um deles ainda tentou correr, mas acabou caindo mais a frente. Assim que os outros dois caíram no chão, o garupa ainda desceu da moto e atirou na cabeça deles. Depois, os criminosos fugiram sentido a [avenida] Assis de Vasconcelos”, detalhou. “Eles eram magros e morenos”, acrescentou a testemunha.
Um morador, que também não terá a identificação revelada, disse que escutou os tiros. “É assustador pensar que poderia ter sido eu ou meu pai que poderia estar lá na hora comprando refrigerante, como de costume”, comentou. Segundo ele, pelo menos duas das vítimas eram conhecidas na área. “Eles só apareciam dia de domingo por aqui. Faziam de tudo um pouco: reparavam carros, lavavam...Mas, uma coisa é certa: ninguém morre do nada”, disse.
Outro morador do Reduto afirmou que horas antes do crime, esteve no local com dois dos homens assassinados. Ele reconheceu como sendo, um deles Jhonnes – que seria flanelinha e comerciante – e, outro como Roberto, morador no bairro da Terra Firme, também flanelinha.
“Eu estava aqui de manhã com eles. O Roberto fez compras comigo. Nossa, poderia ter sido eu”, informou. De acordo com ele, não imagina quem poderia ter cometido o crime. “Não faço a mínima ideia. O terceiro, eu não conheço”, contou.
POLICIAIS CIVIS IDENTIFICARAM DUAS DAS TRÊS VÍTIMAS
Policiais civis da Divisão de Homicídios identificaram duas vítimas como sendo Jhonnes Rossi Silva (vestia camiseta e boné) e Diemerson Costa de Sousa (bermuda azul e sem camisa) – tentou correr, mas morreu na esquina na Manoel Barata com a Piedade. O terceiro seria Roberto, identificado pelo amigo, morador do bairro. Nenhum parente dos homens assassinados esteve no local do crime.
Peritos criminais contabilizaram que os homens receberam pelo menos 5 tiros, cada um. Roberto recebeu todos os disparos na cabeça. Várias peças metálicas das armas utilizadas nos assassinatos foram encontrados na cena do crime e levados ao Centro de Perícias Científicas (CPC) para serem periciados.
A capitã Erika Costa, do 2º Batalhão de Polícia Militar afirmou que a equipe foi chamada por volta das 16h40. Segundo as informações preliminares apuradas pelos policiais militares, os três homens estavam consumindo bebida alcoólica desde cedo.
“A princípio, o Diemerson não tem passagem [pela polícia], mas era usuário [de drogas], pois a gente abordou ele várias vezes, vivia no canal da General Magalhães. O segundo, o Jhonnes respondia um processo de furto na Vara de Capanema, e o terceiro [que seria Roberto], a gente ainda não conseguiu levantar informações sobre ele. Provavelmente uma execução”, disse. As imagens registradas por câmeras de segurança de uma empresa particular na esquina da cena do crime, poderão ajudar a Polícia Civil a desvendar o caso.
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