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ESPERANÇA

Grupo de vizinhos se reúnem para deixar o Natal ainda mais especial

Na pequena mesa da sala da residência da dona de casa Milena Souza, localizada no bairro Jardim Nova Esperança, em Ananindeua, estão os itens que conseguiu arrecadar até agora para a campanha Natal Solidário, promovido por ela com a ajuda de familiares e

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Imagem ilustrativa da notícia Grupo de vizinhos se reúnem para deixar o Natal ainda mais especial camera Olga Leiria/Diário do Pará

Na pequena mesa da sala da residência da dona de casa Milena Souza, localizada no bairro Jardim Nova Esperança, em Ananindeua, estão os itens que conseguiu arrecadar até agora para a campanha Natal Solidário, promovido por ela com a ajuda de familiares e amigos há dois anos.

A ideia de ajudar de forma mais efetiva ao próximo nessa época do ano surgiu a partir do hábito de escrever cartas para que crianças da vizinhança pudessem ganhar presentes de Natal na campanha promovida pelos Correios. “Escrevia para que o meu filho e outras crianças pudessem receber. Cheguei a escrever mais de 30 cartas”, lembra.

Em 2017, a mãe de uma dessas crianças chamou Milena para ir até a casa dela ver como o filho, que não andava, tinha ficado feliz com o presente recebido. Quando chegou lá se deparou com uma situação que a fez refletir sobre a importância de olhar o próximo com mais amor e solidariedade. “A família formada pela mãe e duas crianças só tinha arroz e um feijão sem tempero para comer e o menino, ainda bem pequeno, me pediu um pedaço de frango para comer. Chorei por dentro porque não tinha como atender aquele pedido naquele momento”, relembra, ainda emocionada.

A dona de casa, que na época vivia com poucos recursos e com alguns “bicos” feitos pelo marido, que estava desempregado, resolveu arrecadar latinhas para vender. Com a renda, ela passou a comprar alimentos e brinquedos para ajudar as famílias mais necessitadas que a dela. “Meu objetivo é que elas tivessem pelo menos no Natal, que é uma data especial, algum brinquedo e comida na mesa”, explica.

Além das latinhas, ela procurou a ajuda de vizinhos, como a autônoma Joelma Rocha e o mototaxista Aluísio Góes. “Eles me ajudam a arrecadar e a ir buscar as doações. A contribuição deles é muito importante para mim”, diz.

Entre os itens arrecadados estão brinquedos e roupas novas e usadas, alimentos e material escolar. “Ano passado conseguimos fazer doações a 80 famílias. Este ano, arrecadei ainda poucos itens, mas não vou desistir. Até o dia 23, quando faço a distribuição, vou continuar tentando e espero conseguir”, diz.

Para esse ano, Milena ainda espera poder retribuir a pessoa que ajudou a abrir seus olhos e ver que perto dela haviam pessoas que precisam de sua ajuda. “Queria muito receber uma cadeira de rodas com apoio de cabeça para dar para aquela primeira criança que me pediu um pedaço de frango no Natal. O frango e o brinquedo dele eu já consegui comprar. Mas não tenho como adquirir a cadeira de rodas. Meu sonho é poder dar esse presente a ele”, ressalta.

Doações

Enquanto Milena recebia a reportagem do DIÁRIO em sua casa, algumas pessoas se aproximavam do local acreditando que a entrega dos presentes e alimentos já estaria acontecendo. Uma delas foi Lucinete Pinheiro.

Desempregada, ela mora com o marido, que há pouco tempo sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que comprometeu seus movimentos, além de uma filha e três netos. Para terem o que comer, ela pede roupas nas ruas para vender em uma feira próxima nos finais de semana. “Temos passado muita necessidade. Mas este ano espero conseguir ganhar pelo menos a cesta básica do projeto da Milena para que a minha família tenha o que comer durante uma semana que seja”, disse.

Como fazer para colaborar com os grupos de ajuda?

2º Natal Solidário - Milena Souza. Contato: 98220-3069

Grupo Ação Solidária (GAS) não tem sede física. Contato - Fran Moraes: 98900-6549

Natal Solidários da Rua 39 do Conjunto Promorar. Contatos: Ismaelino Aragão (98900-0190) / Luiz Maciel 99985-9587.

Ceia natalina para quem vive em situação de rua

Assim como Milena, a professora e psicóloga Francisca Moraes e sua família também viram suas noites de Natal ganharem outro significado há cinco anos. Eles preparam e entregam uma ceia natalina completa para pessoas em situação de rua que ficam na área central do bairro de São Brás.

Ela faz parte do Grupo Ação Solidária (GAS), que há seis anos reúne cerca de 100 integrantes para promover ações solidárias para as pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e social. “Fazemos várias ações ao longo do ano, desde visitas a asilos, comunidades, abrigos, além de um sopão mensal distribuído a moradores de rua, juntamente com roupas e outros itens arrecadados. Mas o carro-chefe no nosso trabalho é a ceia de Natal para moradores de rua, que entregamos todo 25 dezembro às 19h”, conta.

Os integrantes do grupo fazem questão de levar o que há de melhor. “Sempre frisamos quando fazemos os pedidos que os pratos sejam típicos dessa época de Natal, porque o objetivo é proporcionar a eles exatamente isso, uma ceia de Natal”, diz.

Para conseguir arrecadar os alimentos necessários, o grupo usa as redes sociais para sensibilizar as pessoas a doarem. “Ao longo desses anos temos conseguido alcançar o nosso objetivo. Muitas pessoas chegam na hora levando pratos de peru, panetones e outros itens”.

No ano passado, o grupo conseguiu atender a cerca de 300 pessoas em situação de rua, não apenas com a ceia de Natal, mas também com roupas e brinquedos. A expectativa é a de que esse ano o número de atendidos seja maior.

GRUPO

A professora conheceu o grupo a partir da indicação de uma banda cultural que se apresentou na escola onde ela leciona. “A partir daí, não consegui mais largar. Pode me chamar para passar o Natal no lugar com a melhor ceia do mundo que ainda assim vou preferir estar participando desse trabalho com moradores de rua”.

Antes mesmo de participar do grupo, a professora conta que sempre nutriu o desejo de ser útil de alguma forma para as pessoas mais necessitadas. “Acabei me encontrando com o trabalho do grupo porque ele faz bem ao meu coração e a minha alma. Me sinto muito feliz e realizada com ele”, diz.

Para ela, a melhor parte do trabalho é observar o jeito como cada um dos moradores recebe a doação. “Apesar da vida sofrida, eles vêm sempre com um sorriso no rosto. A gratidão deles, que não tem como retribuir, é a melhor coisa. Eles são muito especiais”.

União de vizinhos para fazer o Natal Solidário

Grupo de vizinhos se reúnem para deixar o Natal ainda mais especial
📷 |Olga Leiria/Diário do Pará

Foi numa conversa entre vizinhos da Rua 39 do Conjunto Promorar, em Val-de-Cans, que nasceu uma iniciativa que dura cinco anos que visa proporcionar uma manhã alegre no Natal para crianças pobres da redondeza. “Começamos com 40, atendidas por um projeto de uma igreja próxima, depois fomos crescendo e, para este ano, já estamos trabalhando com 400 e mais seus acompanhantes, o que deve dar um total de 600 pessoas”, conta o analista de sistema, Ismaelino Júnior.

A ação batizada de Natal Solidário conta com cerca de 12 voluntários, todos vizinhos. Ao longo desses anos, a ação foi crescendo e, além dos brinquedos e do lanche no dia do Natal, a campanha passou a proporcionar uma manhã de alegria para os participantes. “Abro a garagem da minha casa e fechamos uma parte da rua para que as crianças possam se divertir nos brinquedos espalhados”, conta Ismaelino.

Ele ressalta que os preparativos para o evento iniciam ainda em outubro, quando os vizinhos começam a organizar uma lista prévia das crianças que serão atendidas. A partir daí é correr para arrecadar os brinquedos, além de dinheiro para organizar toda a estrutura do evento. “Este ano, resolvemos investir mais na questão da infraestrutura, alugamos inclusive banheiros químicos para receber de forma mais estruturada as crianças e seus acompanhantes, porque nos anos anteriores eles acabavam tendo que pedir para ir nos banheiros dos vizinhos”, destacou.

Campanha

Boa parte das doações da campanha sai do bolso do programador e do amigo Luiz Maciel, que se dividem para comprar a metade de todos os brinquedos doados. “Caso a gente não consiga a outra parte dos brinquedos por doações, juntamos o nosso dinheiro novamente para dar um jeito de comprar”, conta.

Ele também criou um programa para organizar melhor a distribuição dos brinquedos e o lanche. “Como atendemos muita gente, resolvi criar um programa para organizar melhor as senhas. Mas, todos os anos, nos preparamos para receber mais crianças”, diz.

Ao longo desses cinco anos, o programador acabou tendo que abrir mão da festa em família para poder fazer a campanha. “Durmo cedo na véspera porque o trabalho também começa cedo. Fazemos a limpeza de toda a rua para que esteja tudo pronto para as crianças”, afirma. Para ele, tudo vale a pena. “Sinto muita gratidão por conseguir fazer a campanha”, diz.

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