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Por que os protestos se espalharam pelo mundo?

Os protestos multiplicam-se pelo mundo, preocupando líderes e governantes afetos a diferentes tipos de ideologias e regimes imperantes em diversas regiões. Ninguém escapa a esta onda perturbadora que inclui as ditaduras, Estados falidos, democracias po

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Imagem ilustrativa da notícia Por que os protestos se espalharam pelo mundo? camera Fernando Frazão/Ag. Brasil

Os protestos multiplicam-se pelo mundo, preocupando líderes e governantes afetos a diferentes tipos de ideologias e regimes imperantes em diversas regiões. Ninguém escapa a esta onda perturbadora que inclui as ditaduras, Estados falidos, democracias pouco fortalecidas e outras já consolidadas.

As manifestações populares atordoam o planeta, minando a paz dos cidadãos de todos os continentes. Nos últimos meses, nações do mundo inteiro experimentaram uma explosão de revoltas e descontentamentos, incluindo países como Irã, Argélia, Bolívia, Hong Kong, França, Reino Unido, Venezuela, Chile, Geórgia, Equador, Líbano, Iraque, Colômbia.

Por que o mundo queima em protestos?

Os analistas comparam esta efervescência contestatária com acontecimentos globais semelhantes à massificada insurreição popular de 1848 e os controversos anos 60. No entanto, desta vez milhares de cidadãos de diferentes latitudes geográficas invadem as ruas para clamar suas demandas proferindo slogans com diversos fins, um cenário sem precedentes.

Todos os registros revelam um aumento acelerado no número de protestos na última década. Na capital da Holanda o número de protestos quadruplicou, especialmente entre 2014 e 2018. Um fenômeno novo e incomum é que as rebeliões abrangeram todas as regiões e sistemas políticos de natureza diferente.

Desde as nações mais ricas e democráticas como a França, até aqueles dominados por governos totalitários ou autoritários como: Venezuela, Irã ou Iraque se juntaram ao contingente de países com multidões em suas ruas e avenidas. Mas o que está por trás disto? Não existe um padrão unificado nem um denominador comum entre esses fatos mundiais.

Esta realidade não é marcada por uma unidade ideológica como aconteceu na Primavera Árabe de 2011 ou por acontecimentos violentos para derrubar o comunismo na Europa de Leste, não existem motivos homogéneos que impeçam este tipo de protestos.

Diversidade de motivos

Os libaneses esquentaram as cidades com protestos massivos por um imposto ao Whatsapp de 0,20 centavos diários, o Chile se pôs álgido pelo aumento das tarifas do metrô. As mobilizações no Irã e na África ocorreram por causa do combustível, Hong Kong encheu as avenidas por uma extradição.

Na Argélia, os manifestantes saíram às ruas pela insistência de Buteflika em chegar ao quinto mandato aos 81 anos, e no Irã os protestos persistem pela morte de Qasem Soleimani.

Enquanto na América a fraude eleitoral perpetrada por Evo Morales desencadeou uma saída turbulenta do povo para a rua, em fim cada um destes episódios têm sido suscitados em diversos contextos e com motivos muito diferentes.

No entanto, pode concluir-se que existe uma forte frustração entre os cidadãos relativamente à atuação dos governos e do Estado. Outras possíveis causas admitidas são:

• O governo não oferece soluções oportunas às suas demandas, quer se trate de sistemas democráticos ou não democráticos, direita ou esquerda.

• Irritações e inconformidades com as atuações da autoridade governamental.

• A ideia de que os governantes desrespeitam os direitos dos cidadãos, e inclusive desprezam o povo.

• Questionamento da legitimidade do poder por sua excessiva permanência no mesmo (caso de Maduro na Venezuela e Buteflika na Argélia).

• Corrupção das elites do governo.

• Desigualdades sociais.

• O povo se sente ignorado (como Chile ou Irã).

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