Com a forte chuva que caiu na tarde da última terça-feira (28), o dia de ontem (29) foi de contabilizar os prejuízos causados pelos alagamentos em diversas vias de Belém. A insatisfação era geral, principalmente de moradores afetados diretamente pela água que invadiu as casas e a lama que tomou conta das ruas.
No bairro da Terra Firme, diversas vias próximas e a Avenida Celso Malcher foram afetadas pela forte chuva e falta de estrutura na hora de escoar a água acumulada. No final da própria avenida, a lama tomava conta do local. Moradora da área há 30 anos, Socorro Rebouças, 55, lamentava o estado da rua e a dificuldade em sair de casa com a falta de saneamento. “Eu moro sozinha com minha filha que tem necessidades especiais e para sair com ela é uma dificuldade. A água não sai e muitas pessoas já perderam suas casas. Se tivesse condições, eu já teria saído daqui porque isso é uma calamidade”, afirma.
Não muito distante dali, em residência vizinha, Maria das Graças, de 69 anos, tirava a água que havia invadido sua residência no dia anterior. Ela comentou que mesmo levantando sua casa a água não deixou de invadir e causar diversos prejuízos materiais. “Estou aqui há dez anos e sempre foi essa situação. Às vezes sinto vontade de ir embora, vender minha casa, mas quem vai querer comprar um lugar nestas condições?”, desabafa.
LIXO
Ainda na Celso Malcher, próximo da Passagem do Arame, como se não bastassem as poças d’água e lama, os moradores ainda são obrigados a conviver com o acúmulo de lixo, despejado de forma irregular no canal. Valdemar Tavares Rebelo, de 68 anos, é de Ponta de Pedras, no Marajó, e está no local em casa de parentes aguardando atendimento médico. Ele reclama do descaso e falta de consciência ambiental. “Tem um mês que estou aqui e há um mês tem essa montanha de lixo no canal. Isso é um risco para as crianças e não podemos fazer nada, apenas esperar alguma atitude do poder público”, declara.
No bairro do Curió-Utinga, próximo da Avenida João Paulo II, as ruas sofrem do mesmo problema. Na Passagem Ana Deusa era possível perceber a dificuldade para pedestres e veículos transitarem na área tomada por lama e buracos. Luiz Lemos mora na passagem desde o ano de 1985 e afirmou que o alagamento na via em dias de chuvas é comum. “Em dia de chuva carro aqui não passa. Quando chove, vira um rio”, lamenta.
Na Travessa Vileta, o nível do canal chamava a atenção junto com o lixo.
OUTRO LADO
Em nota, a Secretaria de Saneamento de Belém (Sesan) informa que aguarda resultado de processo licitatório para obras de saneamento no Curió-Utinga, que visa minimizar os transtornos causados pelos alagamentos em vias que cortam a avenida João Paulo II. Ações de saneamento são realizadas regularmente nas áreas próximas de canais. Os serviços de limpeza foram intensificados durante esta época do ano por conta do período chuvoso. Com relação ao lixo, a empresa responsável pela falha já foi notificada e o lixo será recolhido.
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