Um formando do curso de Engenharia Civil, da Universidade Federal do Pará (UFPA), surpreendeu ao surgir na solenidade de colação de grau, na manhã desta sexta-feira (31), trajando um vestido azul. Caio Quaresma Santos, de 23 anos, foi o orador da turma e chamou a atenção de todos os presentes no auditório.
“Eu sou plural no meu gosto por peças do vestuário feminino e do masculino, não é à toa que me considero andrógino. Então, não é bem um vestido, é uma soma da cauda de um vestido com um terno/macacão, mas do jeitinho que eu gosto. Essa é uma das razões pelas quais usei este figurino. A outra é porque eu não gosto de formalidades, então não me identifico com a beca tradicional, então, resolvi desenhar a minha beca”, diz o engenheiro recém-formado.

Caio afirmou ainda que não teve reprovação sobre sua atitude, por parte da instituição, mas percebeu a reprovação de algumas pessoas presentes na cerimonia.
“Surpreendente, alguns olhares silenciosos reprovaram, mas todas as outras pessoas me acolheram com especial admiração, e de várias idades, o que mais me encantou. Foi um dia muito especial”, diz Caio.
“Durante o curso eu apenas sofri um ato direto de desrespeito às minhas escolhas de indumentária. Além disso, eu sempre ouvi que eu deveria tomar cuidado, por conta da engenharia ser um ambiente hostil, no sentido do preconceito e da homofobia. Mas eu não hesitei em viver o que eu sou, por isso o que aconteceu hoje não foi um evento, eu sempre fui assim, ao longo do curso, discutindo sobre as questões de gênero, sexualidade e homofobia. Meus colegas sempre foram muito abertos a esses diálogos, apesar de tudo. Portanto, eu não considero o que vesti hoje como um ato isolado, mas uma extensão do que foram os últimos cinco anos na academia”, relata Caio sobre a homofobia dentro do curso de engenharia civil da UFPA.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar