Mesmo sem a comprovação de casos de coronavírus no Brasil, o governo Jair Bolsonaro decidiu reconhecer o estado de emergência em saúde pública para a doença. O governo também deve enviar em breve ao Congresso Nacional uma proposta que cria a figura de quarentena sanitária no Brasil. A ausência de uma legislação desse tipo foi apontada pelo presidente Bolsonaro como uma das razões que dificultam a evacuação de brasileiros da cidade de Wuhan, epicentro chinês do surto do novo coronavírus.
Segundo o ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde), a decretação da situação de emergência ocorrerá para dar agilidade ao Estado na contratação de equipamentos sanitários e na montagem da área de quarentena que receberá os brasileiros retornados da cidade de Wuhan, na China. Mandetta falou após reunião na Casa Civil para acertar os detalhes do retorno desses brasileiros. Segundo ele, são aproximadamente 40 brasileiros em Wuhan que manifestaram interesse em voltar ao Brasil.
O estado de emergência permite ao governo contratações emergenciais mais rápidas para fazer frente aos esforços de contenção do vírus, dispensando por exemplo processos licitatórios. A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou na quinta (30) que o coronavírus é uma emergência de saúde global.
O protocolo estabelece que o estado de emergência seria ativado, em condições normais, após a confirmação de um caso de coronavírus no Brasil -o que até o momento não ocorreu. Mas o governo Bolsonaro tomou a decisão de reconhecer a emergência, entre outras razões, para preparar a chegada dos brasileiros retornados.
MECANISMOS
“Embora a gente não tenha nenhum caso comprovado no Brasil -não temos a presença do vírus em laboratório dentro do Brasil- nós vamos reconhecer esta emergência sanitária internacional para poder ter mecanismos. Porque se não você tem que abrir licitação, leva 15, 20 dias para conseguir se movimentar quando se está no status normal da lei de licitações e compras. Então a gente vai antecipar mesmo não tendo nenhum caso confirmado”, disse o ministro.
Mandetta não informou quando o voo fretado pelo Brasil deixará o país com destino à China. Mais cedo, em entrevista à Rádio Gaúcha, o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) disse que o avião deve decolar até esta terça (4), com retorno previsto para quinta (6) ou sexta (7). Lorenzoni também afirmou que a tendência é que a quarentena ocorra numa base militar em Anápolis (GO). Mandetta disse que essa decisão ainda não está tomada, mas reconheceu que a área militar na cidade goianatem vantagens.
PRECAUÇÃO
- Ainda segundo o ministro da Saúde, o prazo de quarentena deve ser de 18 dias. O governo está consultando o protocolo de outros países para saber se a tripulação que realizará a missão de repatriação também deverá cumprir o isolamento. A princípio, disse Mandetta, as informações dão conta de que, com a proteção adequada, o período que a tripulação ficará afastada poderá ser cumprido em ambiente domiciliar.
- O ministro da Saúde afirmou ainda que os brasileiros que manifestaram interesse em retornar serão submetidos a um exame prévio antes do embarque. De acordo com ele, pessoas com sintomas do coronavírus não poderão deixar Wuhan.
- “Você não pode trazer uma pessoa com febre ou que esteja gripada com as outras no avião”, disse Mandetta. Por fim, ele disse que só serão evacuados os brasileiros em Wuhan porque a cidade concentra 70% dos casos de coronavírus e que o próprio governo chinês bloqueou o local.
Paraense relata situação na China: ‘Só o supermercado abre’

A paraense Jully Cardoso está na cidade de Fujian, na China, desde o final do ano passado quando foi passar o Réveillon com o filho e o marido. Nos últimos dois dias, ela gravou alguns vídeos falando como tem sido a rotina diante do surto do coronavírus.
Em seu perfil numa rede social, Jully mostrou alguns espaços de Fujian. Em vídeos enviados para a RBA TV e divulgados no Jornal RBA de ontem, a paraense revela que todos os cidadãos naquela cidade precisam usar máscaras o tempo todo para tentar se proteger da contaminação. Jully aparece com uma máscara cobrindo metade do rosto. Ela diz que está em um shopping que geralmente está aberto 24h, mas, atualmente, abre somente o supermercado. Nas imagens, o local está vazio, sem movimentação de pessoas e as lojas fechadas. Em fotos compartilhadas pela paraense na rede social, ela e o filho estão com as máscaras.
DESERTO
Ainda segundo a paraense, agências bancárias e outros estabelecimentos permanecem fechados aguardando a liberação do governo. “Todos que você vê na rua vão estar com esse tipo de máscara. Lojas foram fechadas, bancos foram fechados e só o que está aberto são os supermercados que você chega e tem um termômetro que é colocado na testa ou no ouvido para medir a temperatura, para ver se está muito alta, que é indício do vírus. Se tiver, a pessoa é imediatamente interditada, levada para outra cidade e cuidada. Atualmente, nesta cidade já tiveram três casos e deram 15 dias para fazer nova verificação na cidade e liberar ou não as lojas”, conta Jully. “Até agora, estou tomando todas as precauções, comigo e com meu filho. Logo, logo, estarei de volta ao Brasil”.
Ainda de acordo com a paraense, bares e escolas também estão fechados. A fiscalização dos profissionais de saúde é feita pela manhã, tarde e noite nas residências dos chineses. No Pará, a comunidade chinesa tem aumentado, principalmente na capital onde o centro comercial está cheio de lojas que vendem produtos importados da China, cujos proprietários também são daquele país, alguns não falam o idioma local.
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